Prédio de 1926 vai abrigar Palácio da Ciência, no centro
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Prédio de 1926 vai abrigar Palácio da Ciência, no centro

Edifício tem cofre de 250 m² construído pela Panzer, a mesma empresa dos tanques de guerra alemães

Clarissa Thomé

23 Fevereiro 2015 | 17h09

No burburinho do centro do Rio, vizinho de prédios que se destacam pela imponência arquitetônica, como o Centro Cultural Banco do Brasil e a Casa França-Brasil, um edifício de 30 metros de altura, construído em estilo eclético, ficou escondido ao longo dos anos. Foi banco, foi secretaria de Fazenda. Agora está sendo preparado para virar palácio – o Palácio da Ciência, futura sede da Academia Brasileira de Ciências e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio (Faperj).

Cento e cinquenta profissionais, entre engenheiros, arquitetos e operários, trabalham para reformar a sede do antigo Banco Alemão Transatlântico, na Rua da Alfândega, 42. “O prédio tem valor histórico no que diz respeito à construção. Foi um dos primeiros do Brasil a usar concreto armado. Tem elementos de Art Nouveau e Art Déco”, explica Marcos Scorzelli, especialista em design de interior corporativo, responsável pelo acompanhamento das reformas junto à Faperj.

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O prédio foi construído em 1926. (Reprodução/Acervo/Collection: Instituto Histórico Deutsche Bank Frankfurt)

Os trabalhos tiveram início em fevereiro de 2014. Mais de 500 caçambas de detritos foram retiradas do prédio. Ao longo dos anos, ocorreram obras em cima de obras. Havia locais em que foram encontrados camadas de massa e tacos sobre o piso original, paredes coladas umas às outras, lajes sobrepostas.

De certa forma, as sucessivas obras serviram para proteger as belezas do prédio. O restauro revelou o teto do segundo andar decorado, que estava escondido pelo gesso do rebaixamento. Sob o piso central do salão nobre, os restauradores encontraram um mosaico da fábrica de cerâmica Villeroy e Bosch, de Berlim.

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Colunas do salão central estão sendo recuperadas. (Foto: Wilton Júnior / Estadão)

“O piso original do grande salão foi coberto com camada de 12 cm de massa e, em cima dessa massa, taco de madeira. Vamos ter que fazer a remoção cuidadosa e a restauração desse piso. A fábrica ainda existe. Estamos em contato par tentar repor as pastilhas originais”, explica o engenheiro Tide Leme, da Concrejato, empresa responsável pelo restauro, que já cuidou da recuperação do Palácio Guanabara, Teatro Municipal do Rio, e Catedral da Sé (SP), entre outros.

Neste salão, que tem 10 metros de altura de pé direito, também estão sendo restauradas colunas e brasões. Ali funcionará como um local de exposições. O trabalho de recuperação prevê ainda o restauro de três dos quatro vitrais de parede do antigo banco (um já não existia) e do vitral do teto. Os vitrais estavam bem deteriorados. As peças improvisadas para cobrir as imperfeições estão sendo substituídas.

O prédio guarda ainda uma curiosidade: a casa-forte construída pela Panzer, a mesma empresa dos tanques usados pelos alemães na Segunda Guerra. “Só existem três cofres desses no mundo. Este tem 250 metros quadrados e guardará a reserva técnica da Faperj e da Academia Brasileira de Ciências”, explicou Scorzelli. A conclusão da obra está prevista para o segundo semestre.