Temer é o de menos (ou deveria ser)

Temer é o de menos (ou deveria ser)

Não faz sentido abraçar esse antigovernismo dirigido por quem só rechaça o poder quando não o exerce

Mario Vitor Rodrigues

25 Fevereiro 2018 | 09h23

Foto: Gustavo Miranda

 

Pronto, está resolvido: dando seguimento ao processo de obstrução nacional liderado pela esquerda desde o último impeachment, formadores de opinião em São Paulo decidiram que a intervenção federal na segurança do Rio não se justifica. É uma questão lógica. Todo mundo sabe que de Higienópolis se enxerga muito melhor o cotidiano na Baixada Fluminense.

Deixando a ironia de lado, um posicionamento assim pode ser tachado de prepotente e até de insensível, porém nunca de transgressor. Não quando afrontar o governo se tornou coqueluche para além da turba habituada a fazê-lo.

E pouco interessa a relevância da pauta, se contempla as contas públicas ou a guerra no Rio de Janeiro. A única coisa que importa hoje em dia é bater na Geni da vez. No horrendo vampiro do Jaburu, embora parceiro inestimável quando serviu para viabilizar a chegada de Dilma Rousseff à presidência.

Duro mesmo é lembrar que esse autoflagelo teve início com uma delação combinada entre criminosos e a própria Procuradoria Geral da República. E que, se não fosse aquele momento peculiar em nossa história, quando decidimos  julgar um áudio antes de ouví-lo na íntegra, nosso destino teria sido outro. Digo, além de o “Fora, Temer!” permanecer restrito às esperas por um latte e convescotes na zona sul carioca, provavelmente teríamos aprovado novas regras para a Previdência.

Não apenas isso. Dificilmente Lindberg Farias e Gleisi Hoffmann alcançariam os não convertidos com suas campanhas de desinformação. O mesmo valeria para Lula e Dilma quando destilassem fantasias na internet, Stédile incitasse criminosos ou Chico Buarque estimulasse o empobrecimento moral em seu fã-clube.

A questão aqui não passa pela defesa de Michel Temer. Não há justifica razoável para receber patifes do naipe de um Joesley Batista e ainda se fazer de desentendido ao escutar barbaridades. Tampouco para associar-se ao petismo e ladear coronéis como Renan Calheiros.

Contudo, não faz o menor sentido que a população abrace esse antigovernismo dirigido por quem historicamente só rechaça o poder quando não o exerce. Especialmente a parte que se sentiu refém durante anos do maior esquema de corrupção em nossa história. E mais especialmente ainda quando as medidas do governo são necessárias para o país.

Em outras palavras, se o cenário escancara a polarização e o debate pinta cada vez mais inviável, o bom senso deve prevalecer entre aqueles preocupados com a nação.

E só.