A hora de terminar uma relação

Claudia Belfort

28 Outubro 2010 | 16h53

Saber quando encerrar uma relação, seja ela já de alguns anos ou recente, é daqueles momentos de angústia em que as fronteiras entre amor, tristeza, racionalidade, medo, esperança tornam-se invisíveis. Eu acho difícil acertar se aquela é mesmo a hora. Também não tenho fórmula para calcular. Mas uma psicoterapeuta de casais da Califórnia, EUA, Christina Steinorth, sugeriu algo de uma objetividade norteamericana e até agora impensável para mim. Em artigo publicado no MenthalHelp.net ela apresenta duas listas para ajudar a quem pensa em se separar, terminar namoro, casamento, caso. Primeiro mostra dicas de como identificar os sinais de que já é hora de encerrar a relação, que incluem sensação de frustração e vazio, de que já não gosta dele(a) tanto assim, desculpas para usufruir mais tempo sem o (a) parceiro (a), etc.

Identificados os sinais, Dra. Steinorth relaciona aquilo que chama de “a maneira mais pragmática” de tomar a decisão: fazer uma lista de prós e contras. Cada um tem um jeito de decidir, mas a abordagem me levou a uma reunião de planejamento estratégico aqui do jornal. Será que colocamos a lista num power point no final? Enfim, ela sugere uma lista com duas colunas, sendo uma para os atributos positivos da relação, outra para os negativos. A partir daí, você insere nessas categorias o que há de bom e de ruim no seu relacionamento. Segundo Dra. Steinorth, para algumas pessoas é mais fácil ter algo concreto, como uma lista onde uma coluna é muito maior que outra, para decidir-se pelo fim de uma história que não traz mais satisfação e alegria.

Ela deixou bem claro “para algumas pessoas” e eu pensei “para maioria das que conheço”. Os indivíduos, e por conseqüência nossos relacionamentos, são tão ricos que às vezes a gente gosta justamente daquilo que não gosta numa pessoa. Às vezes algo chato está contido num contexto super interessante, como me disse uma amiga: “eu detesto quando ele fala alto, mas adoro aquele jeitão suburbano”. Claro é um exemplo simplório, quero apenas defender que quando se trata de pessoas, de relacionamentos, os “itens” da lista podem ter pesos distintos e até navegar de uma coluna para outra.

Um colega fez meses de terapia antes de deixar a mulher e está seguro. Outra deixou raiva e insegurança ditarem sua decisão e está num nevoeiro. Já há quem viva numa dúvida eterna, paralisante, pensa, pensa e não sabe se é a hora, se é a pessoa, se é ela mesma (imagine quantas listas essa teria de fazer). Uma hora a decisão terá de ser tomada, para sim ou para não. Duvido apenas que ela seja sempre baseada numa certeza ou que tenha tanta objetividade.

Em tempo: adoro essa música

Mais conteúdo sobre:

lutoPsicologia