Hormônio do amor, oxitocina pode ajudar crianças com autismo leve

Hormônio do amor, oxitocina pode ajudar crianças com autismo leve

Claudia Belfort

04 Dezembro 2013 | 19h28

A oxitocina, também chamada de hormônio do amor por desempenhar importante papel nas funções sociais, emocionais e corporais, como o parto e a produção de leite em mulheres, e a ligação entre pais e filho, recebeu um importante indicador que pode de fato ajudar a melhorar o comportamento social de crianças com autismo leve.

O resultado do primeiro estudo de como a oxitocina afeta o cérebro de crianças com autismo e publicado segunda-feira, na Revista PNAS – Proceedings of the National Academy of Sciences revela que oxitocina induz uma maior atividade em regiões do cérebro relacionadas a conexões sociais. Além de uma boa notícia em si, isso também indicaria que essas áreas não estão totalmente inutilizadas e que ainda têm plasticidade suficiente para serem influenciadas.

Conduzido pela equipe do Dr. Ilanit Gordon, da Faculdade de Medicina da Universidade de Yale, EUA, o estudo foi feito com 17 crianças, com idades entre 8 e 16 anos, todas com autismo leve. Elas foram divididas em dois grupos, um recebeu um spray nasal com oxitocina e outro com placebo. Após inalarem a substância, as crianças foram colocadas em uma máquina funcional de ressonância magnética e submetidas a um teste para avaliar suas respostas a fotografias de olhos de pessoas e a de objetos, no caso, automóveis. Depois os inaladores foram trocados, quem recebeu placebo usou o de oxicitocina e vice-versa e o teste foi repetido.

O resultado mostrou que durante o teste dos olhos houve maior atividade nas áreas do cérebro envolvidas nas funções sociais, como empatia e recompensa, após o uso da oxitocina. Já o teste com fotos de automóveis apontou que o uso do hormônio provocou uma diminuição mais intensa da atividade nessas áreas do cérebro do que com o placebo, o que segundo os pesquisadores é um excelente sinal porque mostra a capacidade de diminuir o foco num objeto para voltar a atenção a um estímulo social.


Para o psiquiatra e neurologista Dr. Wanderley Domingues, fundador do Centro Pró-autista,   uma amostragem de 17 pacientes  é pequena. Ele destaca que   foram utilizadas dosagens empíricas de Oxitocina. “São estudos ainda muito preliminares, havendo pouca literatura médica sobre a utilidade de se tratar pacientes autistas com a Oxitocina. No entanto, novas drogas devem ser pesquisadas para o tratamento de tão graves e precoces distúrbios do espectro autista”afirma.

 

Os cientistas americanos ainda não enxergam a oxitocina como um tratamento contínuo para melhorar as habilidades sociais em geral das crianças autistas, mas como uma ferramenta para ajudar a aumentar os benefícios da terapia comportamental ou de situações sociais específicas nos casos de autismo leve.

Um novo estudo, ainda sem data para ser publicado, está sendo realizado na Universidade da Carolina do Norte, EUA, vai avaliar os efeitos comportamentais do uso diário de oxitocina durante seis ou 12 meses.

 

 

 

Editada para acréscimo de informação às 16h15.

 

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