Pancada, clitóris sujo e mutilação

Pancada, clitóris sujo e mutilação

Claudia Belfort

18 Julho 2013 | 10h47

Muitas vezes quando digo que sou feminista ouço um “por que, se as coisas mudaram tanto?” Tenho vontade de responder grosseiramente com um “mudaram para quem cara pálida? E mudaram onde?”

Um relatório da Organização Mundial de Saúde, OMS, divulgado há 15 dias mostrou que a violência física ou sexual contra mulher tem proporções de epidemia de saúde pública. Uma em cada 3 mulheres no mundo já sofreram algum tipo de agressão por parte de seus companheiros ou não. A OMS compilou dados globais de violência cometidos contra mulheres de 15 anos ou mais. África, Oriente Médio e Sudeste da Ásia estão no topo do índice de mulheres agredidas com 37% e logo depois estamos nós, latino-americanos, com um percentual de 30% de agressão.

Quer mais razões? A

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estima que algo entre 70 milhões e 140 milhões de mulheres no mundo tenham sido mutiladas genitalmente. As comunidades que ainda adotam essa prática, comum na África, Ásia e Oriente Médio, acreditam que a sexualidade feminina ameaça a honra da família. E Kembata-Tembaro, na Etiópia, a circuncisão é chamada de “cortar a sujeira.” Para manter as meninas da longe da “promiscuidade” o clitóris é cortado e em alguns casos até os grandes lábios são suprimidos e a região costurada, tudo isso para impedir a mulher de sentir prazer durante o sexo. Privadas do gozo, elas ainda são expostas ao horror do rapto e do estupro, e uma vez estuprada a mulher cai em ruína a menos que se case com seu algoz.

Foto Relatótio Unicef

E para completar nesta semana tem o senhor Feliciano pedindo veto ao projeto de auxílio a vítimas de estupro, que obriga os hospitais a prestarem um serviço de “profilaxia da gravidez” às mulheres que sofreram um estupro. Para Feliciano isso estimularia o aborto. Para o Ministério da Saúde é oferecer a pílula do dia seguinte.

Há outras inúmeras razões para ser feminista, mas essas já são mais que suficientes para o cara pálida. Espero.

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Hoje tem uma matéria bem legal no The New York Times sobre a ação de uma ONG feminista que está conseguindo reduzir o número de mutilações genitais em mulheres da Etiópia. Vale ler.