Nada de pêsames para suicídios nos EUA

Claudia Belfort

27 Novembro 2009 | 08h13

Um reportagem publicada ontem no jornal americano The New York Times levantou um tema polêmico sobre o tratamento que o governo dos EUA dá aos familiares de soldados que cometem suicídio. É tradição, desde Abraham Lincoln, que presidentes americanos enviem às famílias dos militares mortos em combate uma carta de pêsames. É tradição também, pelo menos desde o governo Clinton, que os presidentes não enviem cartas de condolências aos familiares de soldados que tiraram a própria vida.

Funcionários do governo e oficiais militares ouvidos pelo jornal acreditam que a regra, não escrita, está baseada na visão que essa não seria uma forma honrada de morrer. Mas diante da polêmica levantada por familiares de soldados que se mataram, a Casa Branca afirmou que o governo vai rever a política.

As famílias argumentam que uma carta do presidente poderia ajudar a diminuir a culpa que muitos familiares dos soldados sentem. A diretora de um programa militar de apoio a vítima de tragédias, concorda. Mas os que se opõem ao envio das cartas de condolências temem que isso estimule outros soldados mentalmente abalados a cometerem suicídio, já que uma carta do presidente poderia fazer o ato parecer honroso.

É bom lembrar que os EUA tentam combater a maior onda de suicídios nas forças armadas de sua história, quase uma epidemia, diz o jornal. Até outubro deste ano foram 133 casos no Exército. Nas bases do Iraque e do Afeganistão foram 184 desde 2001.