Você contrataria um executivo com distúrbio mental?

Você contrataria um executivo com distúrbio mental?

Claudia Belfort

29 Janeiro 2014 | 12h36

 

Você contrataria um executivo que na entrevista de recrutamento admitisse que sofre de um distúrbio mental? Você revelaria que tem um transtorno psiquiátrico ainda na fase de seleção?

Foto: Shutter Stock Free Image

Em artigo publicado no site da Harvard Busisness Review desta semana, um executivo com passagens por grandes empresas americanas conta não só que contratou uma funcionária que no momento da entrevista contou-lhe que sofria de um distúrbio mental, mas que esse ato fez com que ele também mudasse o modo de entrevistar candidatos.


“Ela me olhou nos olhos e disse que sofria de uma doença mental, que tomava remédios e que nos últimos 10 anos não tinha passado por nenhum episódio, mas que queria falar de sua condição diretamente para mim , caso eu tivesse alguma dúvida”, escreveu Rob Lachenauer, CEO da Banyan Family Business Advisors, uma consultoria especializada em empresas familiares.  “Minha reação foi, francamente, de descrença,  descrença de que ela tenha tido coragem de mostrar-se  tão vulnerável antes de ser contratada”. A executiva foi contratada e tornou-se um membro central da equipe, reconhecida como talentosa e dotada de uma profunda inteligência emocional, hábil com pessoas, era ela quem mantinha a empresa coesa, segundo Lachenauer.

Baseado em sua experiência em grandes corporações, Lachenauer diz que admitir ser portador de um distúrbio mental nesse tipo de empresa  significa praticamente suicídio profissional. A situação em empresas familiares, no entanto, é diferente. “Uma empresa familiar não pode simplesmente demitir o cara que sofre de depressão , quando ele é o acionista majoritário”, exemplificou. As famílias bem-sucedidas querem encontrar maneiras de trabalharem unidas. “Por isso nesse tipo de ambiente esse ambiente a doença mental é vista como parte da condição humana”, escreveu.

Aprender que um distúrbio mental é algo inerente à humanidade, fez Lachenauer acrescentar mais uma pergunta ao seu questionário de entrevista de recrutamento. Ele pede que o candidato fale sobre algo profundamente significativo para ele na vida pessoal, e diz que elimina quem não apresenta nenhuma vulnerabilidade. Eles podem ser bons , mas não são bons o suficiente para trabalhar num negócio que exija que sejamos totalmente humanos”.

Você contrataria um executivo que na entrevista de recrutamento admitisse que sofre de um distúrbio mental?

Claudia Monari, da Carreer Center/ Foto: Arquivo Pessoal

Para a diretora da Divisão de Outplacement & Carrer Planning , da Carreer Center Corporate, Claudia Monari,  os candidatos sempre devem falar a verdade nas entrevistas e se perguntados nunca devem mentir. “Mas  se o distúrbio (mental) estiver sob controle, com uso de medicamentos, não existe a necessidade de falar sobre o assunto. Ela destaca, porém, que na fase de exames médicos toda pergunta sobre tratamento e  medicamentos deve ser respondida com sinceridade, até para que o profissional avalie eventuais riscos que a função possa representar para aquela pessoa. O consultor de RH, Alexandre Campos, segue a mesma linha, “se não for um transtorno que afete o ambiente ou o trabalho , não precisa contar.”

Eu conversei com 5 executivos de diferentes áreas, finanças, comunicação, direito, tecnologia e varejo, desses apenas 2 disseram que contratariam um executivo já sabendo ser ele portador de um distúrbio mental. Mesmo os que disseram que contratariam, inclusive já o fizeram, colocaram como  ressalva  que as qualificações e o talento do profissional deveriam compensar o risco.

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Se você tem uma história relativa a trabalho e distúrbio mental  e quer compartilhar sem revelar seu nome, pode me mandar uma mensagem direta pelo Facebook, twitter @clau_belfort ou escrever para o claubelfort@hotmail.com. Ou se não se importa de falar publicamente deixe seu testemunho na área de comentários aí embaixo. Obrigada.

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As informações divulgadas neste blog não substituem aconselhamento profissional. Antes de tomar qualquer decisão, procure um médico.