Aborto: sexo dos anjos em discussão

Tutty Vasques

17 Outubro 2010 | 06h00

ILUSTRAÇÃO POJUCANConstantinopla não caiu exatamente por causa disso, mas até hoje as autoridades cristãs do Império Bizantino são ridicularizadas pelas acaloradas discussões que travavam sobre a conformação da genitália dos anjos – a maioria, inclusive, não admitia essa hipótese -, enquanto os turcos otomanos passavam o rodo na vida lá fora. Por incrível que pareça, o absurdo da situação de 1453 continua atual no debate Dilma x Serra. Se bem que, comparado à guerra santa a que assistimos na propaganda eleitoral em curso, sexo dos anjos, antigamente, era pinto.

Divagações acerca da anatomia de assexuados deram lugar a elucubrações em cima de temas cabeludos como o aborto e o homossexualismo. Ou seja, a discussão original sobre sexo dos anjos evoluiu da simples suposição física para os dilemas decorrentes do relacionamento entre eles, conservando a característica da conversa fiada que não leva a lugar algum. Ainda que Dilma e Serra tivessem, além de autoridade, alguma convicção a respeito, não é disso que vão tratar no debate desta noite, na Rede TV!

Eles vão lá para dizer qualquer coisa que não os comprometa nem com a moral da Idade Média nem com a lucidez do terceiro milênio. Se a discussão descambar do sexo dos anjos para a erva do diabo, outro clássico do gênero, ambos poderão admitir, no máximo, que já fumaram, mas não tragaram. No caso da união civil entre pessoas do mesmo sexo, como se sabe, eles são a favor desde que não lhes chamem para a festa de casamento.

         É uma pena que a Parada Gay tenha data certa para acontecer. O fim de semana que vem seria perfeito para acusar na Avenida Paulista o papelão desses candidatos ao explicar a católicos e evangélicos quais são suas intenções com os homossexuais. Francamente! As feministas também deveriam se posicionar em relação ao aborto, mas dessas aí já não se pode esperar mais nada mesmo, né não? Ô, raça!