Assim falou Hugo Chávez

Tutty Vasques

06 Julho 2011 | 02h47

reproduçãoErnesto Che Guevara foi o primeiro a dar os pêsames a Friedrich Nietzsche (foto). O filósofo juntou-se ao líder guerrilheiro na galeria de figuras históricas evocadas nos delírios de Hugo Chávez. Em seu “eterno retorno” de Cuba, o presidente venezuelano elegeu o poema-manifesto ‘Assim Falou Zaratrusta’ seu novo gibi bolivariano de cabeceira. Anda citando a obra do pensador alemão como se fosse um puxadinho de suas próprias ideias.

Na reinterpretação literária de Chávez, todos os seus revolucionários de estimação – aí incluídos Guevara, José Martí, Simon Bolivar e Fidel Castro – são a mais completa tradução do ‘super-homem’ nietzschiano. Não cabe aqui explicar que diabos o filósofo quis dizer com sua tese sobre o ser humano em transição para algo melhor na cadeia evolutiva, basta por enquanto entender que isso nada tem a ver com o discurso convalescente de Hugo Chávez.

Não é a primeira vez que tal conceito é alvo de apropriação indébita: a Alemanha do início do século XX também pegou carona na ideia do “novo homem” de Nitetzsche para fundamentar o nazismo. No caso de Chávez, convenhamos, nem é tão preocupante assim. Relaxa, vai!