Bumbumpequimcumbum

Tutty Vasques

09 Agosto 2008 | 10h08

Nossos carnavalescos devem estar envergonhados. Imagine uma escola de samba evoluindo sobre um pergaminho digital com imagens sujeitas a interferências do arrasta-pé dos passistas. E o que dizer dos tambores de luzes ou das fantasias de microlâmpadas? Soluções como a do palco de seda que parecia flutuar impressionavam pela leveza e precisão de movimentos coreografados em sua base. Que material é aquele do figurino da ala dos discípulos de Confúcio, caramba?

Se gostassem de samba, os chineses revolucionariam o carnaval brasileiro praticado nos sambódromos do País. Os Laílas e Joãosinhos Trinta de lá deram um show irretocável de tecnologia e disciplina na abertura das Olimpíadas de Pequim. Festas de sons, luzes e cores são, em geral, maçantes como a maioria das escolas de samba na pista, mas o que se viu ontem no tal Ninho de Pássaro, igual só naquele carnaval inesquecível de mil novecentos e quanto mesmo?

Texto publicado originalmente no caderno Metrópole deste sábado, no ‘Estado’