Conversa de surdos

Tutty Vasques

29 Outubro 2010 | 06h56

Claro que ele vai dizer que jamais pensou em vender a Petrobrás. Ela, pra variar, negará a encomenda de dossiês aloprados à Receita Federal. Um dirá que a turma do outro – e vice-versa – não vale um tostão furado. Até aí tudo bem, a despeito da falta de talento para o improviso, o eleitor se daria por satisfeito neste último debate na TV se os candidatos restabelecessem minimamente a correspondência de assunto entre pergunta e resposta.

Se já entram no estúdio sabendo exatamente o que vão dizer, que ao menos se preocupem em encaixar o tema de cada resposta com a questão levantada na fala anterior ao sinal do mediador concedendo-lhes a palavra. Hoje em dia, como se sabe, não raro a pergunta é sobre aborto, a resposta acusa uma roubalheira qualquer, a réplica defende as UPPs e a tréplica ataca o José Dirceu – não necessariamente nessa ordem.

Mas, a julgar pela firmeza com que William Bonner anuncia para logo depois de Passione um embate de “ideias e propostas para o Brasil”, o jornalista vai dar um jeito de garantir a toda pergunta o sagrado direito a resposta específica e pretensamente esclarecedora. Alguém precisa botar ordem nesse galinheiro!