De que lado você está?

Tutty Vasques

07 Novembro 2009 | 09h04

“Quando havia o Muro, a gente pelo menos sabia de que lado estava!” Entreouvido assim, em papo de bêbado na saída de um pub qualquer de Berlim após o show do U2, o flagrante de desorientação da juventude alemã – perdidaça na volta pra casa em noite de festa e muita cerveja – não tem sombra de conteúdo ideológico. Só ganha duplo sentido na cabeça de quem, especialmente quando está sóbrio, não sabe mais de que lado está. Nos últimos 20 anos, convenhamos, é cada vez maior a turma que perdeu inteiramente essa noção, não importa a que distância se mantenha das ruínas do Muro de Berlim. 

Pense nisso: de que lado você está? Não vale responder “de fora”! O contexto da exclusão deve ser abrangido pelo segmento de quem não tem mais lado no mundo ou, mais grave ainda, chegou à conclusão de que todos os lados são iguais. Houve um tempo em que, na dúvida, o pessoal lá da rua ficava sempre do lado do Caetano. Hoje, há sérias controvérsia sempre que ele toma posição, mas uma coisa não se pode negar: o artista baiano continua a ser uma referência importante pra gente tentar entender de que lado do muro está.

Texto publicado no caderno Cidades/Metrópole deste sábado no ‘Estadão’.