Democracia olímpica

Tutty Vasques

04 Outubro 2008 | 10h51

Candidato único, reeleito na surdina e por aclamação, francamente, esse tipo de dirigente não rola mais nem na Bolívia. O que restou de mais arcaico da era das Repúblicas das Bananas no continente só ainda se encontra por essas bandas na política predominante nas confederações esportivas brasileiras. O czar olímpico Carlos Arthur Nuzman, por exemplo, garantiu esta semana, em reunião relâmpago de aliados, sua permanência na presidência do COB até 2012, quando completará 17 anos no poder.

Grandes coisas! Em 2015, quando termina seu atual mandato, Ricardo Teixeira terá completado 25 anos no comando da CBF. Não é nada, não é nada, mais uma década ele se iguala ao recorde de Alfredo Stroessner à frente do Paraguai. E, provavelmente para não dar a Nuzman chances de concorrência, Teixeira mandou dia desses sua entidade acusar irregularidades na condução do processo democrático no Comitê Olímpico Brasileiro. Pode? Deve ter general de pijama boquiaberto com a astúcia do czar do futebol.

Texto publicado no caderno Metrópole/Cidades da edição de hoje do Estadão