Houve uma vez um verão

Tutty Vasques

08 Janeiro 2012 | 06h01

ILUSTRAÇÃO POJUCAN É cedo ainda para tentar definir que diabos de verão será este que estamos vivendo, mas quem perdeu tempo nas duas primeiras semanas da estação esperando a presidente Dilma tirar a túnica na Bahia, foi surpreendido dia desses, quando os jornais publicaram um flagrante de Luiz Carlos Prestes de sunga, esparramado na Praia do Futuro, no Ceará, em foto de 1989. Dificilmente, o verão de 2012 produzirá imagem mais impactante no noticiário de costumes.

Desde a aparição de Fernando Gabeira de tanga nas areias escaldantes de Ipanema, em 1980, não se via nada igual nos trópicos. Tá certo que a sunga do ‘Cavaleiro da Esperança’ não é tão curtinha, mas o companheiro jornalista também nunca foi tão comunista.

Com a coluna esparramada em espreguiçadeira de praia, Prestes protagoniza o ócio em grande estilo, de boné e chinelo, no álbum de família que a viúva Maria tornou público ao doá-lo ao Arquivo Nacional, sob protestos de Anita Leocádia, filha do grande líder esquerdista:

“A publicação de foto de meu pai na praia, com roupa de banho, constitui um desrespeito à sua memória (…). Revela o empenho da grande imprensa de banalizar a imagem de um revolucionário.”

Maria Prestes respondeu com sabedoria tibetana:

“Desrespeito é imaginar que toda a sua vida ele andou de gravata (…). Prestes andava, sim, de sunga, camiseta, pijama e adorava arrastar seu chinelo.”
Eis a primeira discussão interessante do verão de 2012: comunista sério pode ir à praia? Outra polêmica que a publicação da foto do Prestes de carne e osso suscita: aquele cara lá atrás empurrando um carrinho de mão na praia não é o Aldo Rebelo?