Maníacos da fertilização

Tutty Vasques

11 Abril 2012 | 00h02

reproduçãoQuando a gente pensa que já viu de tudo em clínicas de fertilização, parece até coisa de novela da Rede Record o caso do biólogo de origem austríaca descoberto agora como doador compulsivo de seu próprio banco de sêmen, atividade que pode lhe conferir as paternidade de até 600 crianças geradas em Londres entre os anos 1940 e 1970.

Perto desse Bertold Wiesner, aliás, a doutora Danielle que Aguinaldo Silva criou para Renata Sorrah em ‘Fina Estampa’ é pinto! A personagem, pra quem não se lembra, resolveu ter um sobrinho-secreto cruzando em sua clínica o espermatozoide de um irmão já falecido com o óvulo da última namorada dele na barriga de outra mulher.

O que torna a história do Dr. Wiesner quase tão pervertida quanto a tara do médico-monstro Roger Abdelmassih é que o similar europeu pregava a escolha seletiva sêmen considerando-se aspectos como a inteligência, a estatura e a cor do doador.

Que sentido faz toda essa mise-en-scène de racismo no atendimento à elite londrina para, no final, ir lá dentro e resolver o problema com as próprias mãos?

Bertold Wiesner morreu – muito provavelmente disso – aos 70 anos, em 1972, sem dar explicações!