O crime da leitura labial

Tutty Vasques

14 Dezembro 2012 | 02h32

ilustração pojucan“Apertar unzinho”, no caso de Ronaldo Fenômeno, pode ser tão-somente diminuir um furo no cinto nesta reta final do ‘Medida Certa’ do ‘Fantástico’, mas, a rigor, não importa que diabos ele quis dizer com isso a Edmundo no final da partida de despedida do goleiro Marcos, no Pacaembu. Leitura labial é a pior forma de invasão de privacidade que se tem notícia.

Uma prática que, como toda escuta telefônica, deveria depender de autorização judicial para ser levada a cabo. A não ser na condição de investigado, todo ser humano tem o direito de dizer o que lhe der na telha entre amigos, sem se preocupar com a possibilidade de interpretações ao ‘pé da boca’ das bobagens típicas da intimidade humana.

Ronaldo poderia ter dito a Edmundo, por exemplo, “e aí, boneca, já tem programa pra hoje?”, sem correr riscos de ter os lábios flagrados em falsa proposição de uma noite de sexo com o Animal.

Muito provavelmente, cá pra nós, aquele “e aí, vamos apertar unzinho?” também não quis dizer droga nenhuma que dois parceiros não possam experimentar em suas brincadeiras de moleque.

Criminoso, no caso, é a leitura labial!