O crime que compensa!

Tutty Vasques

07 Abril 2012 | 06h51

reproduçãoNão vou acusar apologia do crime porque a iniciativa partiu de inequívocas intenções humanitárias da diretoria do Corinthians sob as graças do espírito de compaixão da Semana Santa.

A parceria firmada na terça-feira com uma penitenciária de São Paulo para empregar detentos em regime semiaberto na manutenção das dependências do clube seria mesmo um exemplo edificante de responsabilidade social não fosse um detalhe alarmante:

Um bando de loucos já estaria tramando entrar para o mundo do crime só para descolar o emprego dos sonhos de quase todo fiel torcedor do Timão: trabalhar ao lado de seus ídolos no Parque São Jorge, comenta-se nas arquibancadas, vale qualquer esforço para ser preso.

Sem se dar conta da gravidade da situação, milhares de gaiatos de torcidas adversárias – ô, raça! – logo entupiram a internet com as gracinhas preconceituosas de praxe contra a massa alvinegra: “Os contratados vão se sentir em casa!”; “Parabéns pela decisão de empregar a própria torcida!”

As duas coisas – o incentivo ao crime e as piadas prontas – poderiam ser evitadas se o convênio em questão só selecionasse para o serviço detentos palmeirenses e são-paulinos. Fica aqui a sugestão!