O futuro do bacalhau

Tutty Vasques

14 Setembro 2012 | 06h19

reproduçãoNem só de endividamento público, fuga de capitais e desemprego vive a crise do Velho Mundo. Agora mesmo, Portugal e Noruega se desentendem no parlamento europeu por causa do aspecto do bacalhau.

Os nórdicos – ô, raça! – defendem o uso de aditivos químicos na salga do peixe para a obtenção de “um produto mais branco” aos olhos do consumidor.
Não deu certo com Michael Jackson, mas a bronca dos portugueses nada tem a ver com o tradicional gosto dos gajos pelas mulatas. Está em jogo, alerta a imprensa lusitana, “o futuro do bacalhau”.

O fim do mundo, comenta-se no breu das tascas, começa pela alteração do sabor e da textura do alimento, efeitos colaterais ao processo de branqueamento proposto por Oslo à União Europeia. “É um golpe nórdico: querem acabar com o bacalhau português!” – gritam os jornais de Lisboa.

O clima de guerra levou a Comissão Europeia a adiar sua decisão sobre o arranca-rabo da indústria pesqueira na zona do euro e adjacências.

Seja qual for o veredito, não importa quem tem razão no caso, é muito bom saber que nem só o pacto fiscal, a política de austeridade e os cortes no orçamento alimentam a angústia dos europeus.