O kamikaze da Defesa

Tutty Vasques

31 Julho 2011 | 06h10

ILUSTRAÇÃO POJUCANNão se via nada parecido desde que, sem mais nem menos, o sheik Emerson cantou o funk ‘Bonde do Mengão sem freio’ no ônibus do Fluminense, indiferente ao espanto geral dos colegas tricolores a bordo. Ao declarar publicamente que votou em José Serra nas últimas eleições, o ministro Nelson Jobim pode ter imaginado para si o mesmo destino reservado ao jogador, que foi sumariamente demitido ao fim daquela viagem, no meio da Libertadores.

O problema é que, disso Jobim se queixa há tempos, em vez de ouvidos, Dilma Rousseff só lhe dá pitos! Não tem dado a mínima para as insolências de seu ministro que, não é de hoje, vem tentando mostrar ao Palácio do Planalto que cansou da brincadeira na Defesa. “Parem o governo, eu quero descer!” – ensaiou dizer várias vezes depois da sucessão presidencial a que sobreviveu na virada do ano. Cá pra nós, não tem coisa pior para um homem que não cabe em si – em todos os sentidos – do que não se fazer perceber no trabalho.

Resultado: Nelson Jobim foi aos poucos perdendo gosto até pelas fardas camufladas que vestiu nos melhores momentos de sua atuação na selva do governo Lula. Também, pudera! De uma hora para outra, tiraram a aviação civil de sua órbita, jogaram areia na operação de compra dos caças da FAB e, como se não bastasse, emplacaram o José Genoíno na assessoria especial de sua pasta.

Foi mais num ato de desespero do que num gesto aloprado que ele tentou deixar o governo abrindo seu voto em José Serra. Assim que sair do estado de choque em que se encontra diante de mais essa tentativa fracassada, Jobim poderá ainda detonar o PAC, cuspir no prato do Bolsa Família ou se solidarizar aos ex-diretores do Dnit – fará qualquer coisa para convencer a presidente de que ‘the game is over’. Não custa nada fazer-lhe a vontade, né não?!