O povo unido em ‘Tropa de Elite 2’

Tutty Vasques

13 Outubro 2010 | 06h20

reproduçãoCalcula-se que mais de 3 milhões de franceses tenham saído às ruas e parado o país, ontem, para protestar contra o aumento da idade mínima para aposentadoria no país, de 65 para 67 anos. Por aqui, a causa não reuniria 1 mil gatos pingados na Praça da Sé, na Cinelândia ou na Esplanada dos Ministérios. O brasileiro parece que perdeu o gosto por passeata, ato público, comício, vigília, carreata, abraço à lagoa… Não à toa, nunca antes na história deste país uma eleição foi tão pouco disputada nas ruas.

O povo só sai junto de casa, ultimamente, para ir à Parada Gay, ao Réveillon de Copacabana, à Marcha com Jesus, ao Carnaval da Bahia, ao Círio de Nazaré, e olhe lá! Recentemente, duas manifestações públicas intensamente badaladas nos jornais – uma a favor da liberdade de expressão, outra contra o “golpismo midiático” – tiveram, no Rio e em São Paulo, quorum de circo do interior.

Tropa de Elite 2 quebrou um pouco esta rotina nacional de desengajamento. O filme de José Padilha tirou quase tanta gente de casa no feriadão, quanto a Previdência Social pôs de francês ontem nas ruas. Não é nada, não é nada, há tempos o brasileiro não saía junto do cinema para discutir a realidade no barzinho da esquina, né não?