O sexo dos anjos

Tutty Vasques

03 Julho 2011 | 06h56

ILUSTRAÇÃO POJUCANPor trás de um homem triste há, quase sempre, um recurso canastrão de arrependimento muito comum na expressão das vítimas de flagrantes de saliência. Lembra da carinha de bebê chorão do Bill Clinton na TV dizendo “eu não tive relação sexual com aquela mulher”? Ainda não ficou muito claro que diabos Sérgio Cabral andou fazendo fora do casamento, ao final de sua lua de mel com o eleitorado carioca, boa coisa decerto não foi para ele reagir meigo feito um poodle que fez xixi na sala a quem o acusa de misturar vida pública à privada.

“Quero assumir aqui um compromisso de rever a minha conduta. Vamos construir um código juntos, vamos estabelecer limites!” – disse dia desses em entrevista sobre a carona que pegou há 15 dias no aviãozinho de Eike Batista a caminho de uma boca-livre promovida por outro amigo empresário na Bahia. Dedurado pela tragédia que matou sete pessoas da comitiva, o governador passou um período fechado em luto justificável. Voltou esta semana ao trabalho com o rabo entre as pernas, típico de quem tem culpa no cartório.

“Eu errei quando chamei os bombeiros de vândalos”, aproveitou a saia justa para fazer mea-culpa de suas atitudes intempestivas no trato com a corporação, que agora reconhece como “muito querida” da população do Rio. Concedeu logo anistia para todos e teria pedido desculpas ao atirador da escola de Realengo, a quem chamou de “animal e psicopata”, se algum jornalista puxasse o assunto da chacina.

Não sei se deu alguma joia em casa, mas não tem hora mais apropriada para se abusar da generosidade do governador em nome da reconciliação. Melhor aproveitar enquanto é tempo. Preocupada com a melancolia sem fim do amigo, a presidente Dilma já decidiu: vai leva-lo à inauguração do teleférico do Complexo do Alemão na sexta-feira que vem. O homem está precisando se divertir!