O último magnata

Tutty Vasques

22 Julho 2011 | 00h02

ilustração pojucanEntre ‘magnânimo’ e ‘magnésia’ na ordem alfabética dos dicionários, ‘magnata’ é, segundo o Houaiss, todo “indivíduo poderoso, muito rico, influente, chefão, maioral, importante capitalista”, sinônimo de “mandachuva”. Por esta definição, convenhamos, tem magnata a dar com pau por aí, mas só um em todo o mundo tem a chancela associada a cada citação de seu nome na imprensa: Rupert Murdoch, o polêmico dono do grupo de comunicação News Corporation, é magnata full time nos jornais.

Mal comparando, o nosso Eike Batista encaixa-se em todos os requisitos do título – outros dicionários falam de “pessoa importante da indústria, das finanças” -, mas não é toda hora que a gente lê no noticiário “o magnata Eike Batista disse ontem que…” Sua grandeza empresarial é mensurada pelo tratamento de “bilionário”, coisa que Murdoch também é, mas raramente assim a mídia a ele se refere.

Ensina a “enciclopédia livre” Wikipédia que o termo “tem por vezes uma certa conotação negativa, podendo indiciar uma riqueza ganha de forma pouco honesta”. Se já era assim antes de Murdoch, agora então é que ninguém vai querer mesmo ser magnata, né não?