Obama in Rio

Tutty Vasques

20 Março 2011 | 06h03

gadsdgQueira Deus o Cacique Cobra Coral, que dá nome a uma fundação nacional de assistência espiritual-meteorológica, não seja um caboclo vingativo. Atendendo a insistentes apelos dos organizadores da visita de Barack Obama ao Rio, a médium Adelaide Scritori – hospedeira da tal entidade espanta-chuva – topou no início da semana dar cobertura ao evento, e só na sexta-feira ficou sabendo do cancelamento do showmício da Cinelândia, razão maior dos serviços que prestaria gratuitamente, numa espécie de “canja” para o Obama!

E pensar que, para estar à disposição do presidente dos EUA neste fim de semana, Adelaide declinou de um convite do Paulo Coelho para comemorar ontem, com 140 amigos, o Dia de São José em Istambul! Quando lhe deram a notícia de que o discurso do homem havia migrado para dentro do Teatro Municipal, era tarde demais para chegar a tempo da boca-livre na Turquia. Sinceramente, não sei como o tempo não fechou na hora.

Não deve ter sido o único contratempo na estrutura de organização da visita provocado pela mudança de última hora na programação. Ainda que – em relação ao carnaval, por exemplo – a quantidade de seguranças em atividade na Cinelândia seja maior que o número de banheiros químicos solicitados para o evento, vai sobrar cabine para quem quiser fazer xixi no centro do Rio, no domingo, justo quando a venda de cerveja estará proibida em toda a região. Pior ainda: será que, se rolar no palco um selinho da Hebe no Obama, o público que estiver fora do teatro vai poder ver no telão?

Tomara que de todos esses desencontros restem algumas lições para que não se repitam os mesmos erros no Rock in Rio, na Copa do Mundo, nas Olimpíadas… Ou, um dia, o Cacique Cobra Coral perde a paciência e acaba jogando água da chuva no chope do carioca.