Omelete diplomático

Tutty Vasques

06 Março 2011 | 06h15

vasApesar da rasgação de seda para Dilma Rousseff até em editorial da ‘The Economist’, Barack Obama vai procurar se controlar no encontro com a presidente na viagem que ele fará em breve ao Brasil. Tem bons motivos para patrulhar seu entusiasmo: a primeira vez que esteve com Lula, foi logo dizendo em público que ele era “o cara” e, resultado, ficou sem assunto para novos contatos com o colega brasileiro. Elogios definitivos são paralisantes: não levam a nada nem permitem recuos. Deu no que deu: os caras praticamente não contracenaram mais pelo resto do tempo em que estiveram juntos no poder.

Com Dilma, tudo indica, vai ser diferente! Obama quer abrir a conversa – marcada, a princípio, para o dia 19, em Brasília – dizendo que ouviu falar muito bem da “omelete da presidenta” (com sotaque, por favor!). A primeira-dama Michelle está instruída para, nesse ponto do diálogo, dizer que só fez questão de acompanhar o marido na viagem a pretexto de aprender a receita. “As meninas também vieram porque são gulosas!”

Não sei se é o suficiente para Dilma fechar negócio com os caças americanos, mas pode ser uma estratégia eficiente numa época em que elogiar a presidente virou lugar comum nos quatro cantos do mundo. Até a Hebe Camargo, que não elogia um político desde Paulo Maluf, está achando o governo dela “uma gracinha”.

Fenômeno de reversão de expectativa, Dilma Rousseff pôs à prova esta semana, no programa daAna Maria Braga, sua surpreendente aceitação de público e crítica. Nunca antes na história deste país uma omelete tão mal feita ganhou tantos aplausos. Daí a estratégia diplomática americana de se deixar fisgar pela boca na primeira visita de Obama à América do Sul. O pessoal do G20 deve estar com água na boca, mas vai ter que esperar a próxima reunião de cúpula para provar a grande sensação da política do momento: a omelete da presidente!