Os segundos serão os primeiros

Tutty Vasques

14 Novembro 2009 | 09h28

Ao escolher reitor o segundo colocado nas eleições da USP, José Serra pôs em prática a lógica de Aécio Neves para convencer o PSDB a confirmá-lo candidato à presidência da República, a despeito da liderança do governador de SP nas pesquisas de opinião. Como já dizia Rubinho Barrichello, o vencedor nem sempre é o primeiro.

Não vê o Palmeiras?!  Dormiu as últimas duas noites à frente da tabela no Brasileirão, mas sua torcida – a começar pelo próprio Serra – sabe muito bem o quanto isso é ilusório. O segundo, o terceiro e até o quarto colocados no campeonato estão melhor cotados em qualquer bolsa de apostas do País. 

Não à toa, o governador paulista está visivelmente desconfortável com seu favoritismo nas eleições de 2010. Como a opinião pública não dá uma dentro faz tempo, é bem provável que, muito em breve, o primeiro lugar em qualquer coisa no Brasil seja automaticamente descartado da disputa. A escolha do novo reitor da USP foi um passinho à frente nesse sentido.

 

Texto publicado no caderno Cidades/Metrópole deste sábado no Estadão.