Paraty Fashion Week

Tutty Vasques

10 Julho 2011 | 06h48

ILUSTRAÇÃO POJUCANSeria uma injustiça, além de flagrante descortesia, dizer “enfim, uma cabeça pensante bonita pra dedéu”! Intelectual, do gênero que for, não é, necessariamente, feio! Está mais para esquisito pelo conjunto da obra de seus hábitos. Nada nunca tão inusitado quanto as características descritas na apresentação que a imprensa brasileira fez de Pola Oloixarac, a coisa mais fofa da Flip que hoje se encerra. Ela é, segundo o noticiário, linda, profunda, surfista, inteligente, pin-up, tecnológica, nerd, filosófica, blogueira, antropofágica, totalmente “marxista de direita” (como se define citando Alexandre Kojève). Faz snowboard, pinta as unhas de azul, mora à beira de um lago gelado, enfim, só faltava, em vez de argentina, ser boa motorista e cozinheira de mão cheia.

Não fosse o escritor português valter hugo mãe dar uma ofuscadinha na moça com sua verve literária encantadora e seu fascínio pelo Brasil, o frisson em torno da dela teria fugido de controle na Flip. “Que Pola é essa?” – perguntavam-se uns aos outros os intelectuais. O sobrenome Oloixarac rendeu-lhe o apelido “Mulher-Vulcão”. Pintou em Paraty uma espécie de Gisele Bündchen da literatura mundial. Sem nenhum demérito ao debate cultural proposto pelos organizados do evento, foi muito bom para os participantes do encontro só pensar naquilo por alguns bons momentos da festa.

Depois de Pola, dificilmente a Flip escapará da escalação de uma musa em seu cardápio de atrações. E, pelo ti-ti-ti da beira do cais, a mais forte candidata ao posto em 2012 é a francesinha Tristane Banon, jornalista e escritora que chamou Dominique Strauss-Kahn de “chimpanzé no cio” em processo de tentativa de estupro que move em Paris contra o ex-diretor-gerente do FMI. Além de corajosa, ela usa calça jeans rasgadas na coxa, adora cachorro, vem de família socialista e, fetiche dos fetiches nesse meio, é completamente loura.