Sabe a última do jornalismo?

Tutty Vasques

03 Outubro 2010 | 06h14

DFGMuito provavelmente por falta de um grande líder planetário para esquentar o noticiário da semana, a imprensa mundial andou pegando carona num “furo” do jornal inglês The Sunday Times: a decisão da ONU de nomear uma “embaixadora para ETs”. A astrofísica malaia Mazlan Othman seria, a partir de agora, a pessoa responsável por receber todo alienígena que, de passagem pela Terra, peça gentilmente para ser levado ao líder dos humanos.

Sério! Desde o famoso caso do boimate – a fusão das células de um boi com as de um tomate, noticiada no 1º de abril de 1983 – não se lia desatino involuntário igual nas bancas. A piada ficou pronta após um rápido comunicado da Agência das Nações Unidas para Assuntos do Espaço Exterior atestando o tamanho da “barriga” jornalística da semana. “Isso é um completo absurdo!” E não se falou mais nisso!

A mídia não entregou seus aloprados, não desculpou-se com os leitores pela maluquice publicada de véspera e, na maioria dos casos, nem o erro corrigiu. Restou aos gaiatos que perceberam a mancada botar lenha na fogueira do delírio. Já pensou, por exemplo, o dia-a-dia do “responsável pela resposta dos humanos a sinais de vida inteligente vindos de outros planetas”?!

No bar que eu fui naquela noite, discutia-se a necessidade de falar inglês no exercício do cargo. “Claro que não!” – reagiu um colega com firmeza, observando que os ETs têm idioma próprio fora de Hollywood. Especulou-se, também, sobre a localização da tal representação diplomática da Terra no Universo: “Se a sede não for em Marte – e nem precisa ser em lugar tão deslumbrante quanto o palácio da Embaixada do Brasil na Piazza Navona -, estamos falando do melhor emprego do mundo!”

 Fundamental na função, concluiu-se, seria tão-somente um titular bom de contatos imediatos. E, antes que alguém lembrasse do Lula, pediu-se a conta e fomos embora.