Sonhático (ou pós-utópico)

Tutty Vasques

09 Julho 2011 | 06h18

Marina Silva cometeu um neologismo no ato público que marcou seu desligamento do PV: definiu o momento como “sonhático”, em oposição ao gesto “pragmático” que, em geral, move os políticos de um partido para outro. Quis dizer que saiu em busca do sonho de uma nova forma de fazer política, sem qualquer estratégica prática com objetivo eleitoral.

“Sonhático” é, portanto, quase sinônimo de “utópico”, termo que virou adjetivo próprio dos lunáticos depois daquilo tudo que soterrou o socialismo – daí, talvez, a necessidade que a ex-senadora sentiu de inventar uma nova maneira de dizer a mesma coisa.

Acho difícil que pegue no vocabulário do eleitor, mas chama atenção o fenômeno do advento de uma palavra na era Google. Da noite pro dia, o sistema de busca localizou 400 links para quem procurava por “sonhático” na rede mundial de computadores – todos, absolutamente todos voltados para a citação de Marina Silva publicada noticiários eletrônicos.

Isso quer dizer o seguinte: ainda que passe rápido como a velocidade da informação e jamais chegue aos dicionários, “sonhático” será, para sempre, marca registrada ex-senadora no universo virtual.