Votar é uma viagem

Votar é uma viagem

Tutty Vasques

25 Outubro 2008 | 09h30

ilustração pojucan

Tem muito marmanjo que até hoje vota perto da casa da mãe. Há casais divorciados fiéis à mesma seção desde a lua-de-mel, eleitor na terceira-idade que sempre volta à escola que o alfabetizou, enfim, uma multidão atravessará a cidade amanhã para escolher seu prefeito em segundo turno. Para essa turma, a democracia é, antes de tudo, um exercício de paciência no trânsito.

A preguiça de mudar de endereço no título de eleitor é motivo de sobra para fazer do ato de votar um compromisso inconsciente com o passado. O que, psicologicamente, poderia até ser saudável não fossem os engarrafamentos inevitáveis no túnel do tempo. Tirar o carro da garagem em dia de eleição é um hábito que tem transformado a festa da democracia em programa de índio nas grandes cidades brasileiras. Feliz aquele que amanhã cumprirá a pé o exercício de cidadania da vez, ainda que precise de disposição para uma bela caminhada. Pense nisso antes de sair de casa!

Texto publicado na edição deste sábado do caderno Metrópole do ‘Estadão’