“A deficiência do outro é um espelho”

“A deficiência do outro é um espelho”

Em entrevista ao #blogVencerLimites, a psicóloga e psicoterapeuta Adriana Marques Moncorvo analisa o preconceito contra pessoas com deficiência. "É a identificação de algo presente em mim, mas não aceito como próprio", diz.

Luiz Alexandre Souza Ventura

19 Janeiro 2017 | 10h18

Adriana Marques Moncorvo é psicóloga e psicoterapeuta. Imagem: Divulgação

Adriana Marques Moncorvo é psicóloga e psicoterapeuta. Imagem: Divulgação

Compreender a diversidade, conviver com as diferenças, aceitar que não existe, entre nós humanos, uma criatura perfeita, e perceber que capacidades, habilidades e caráter são muito mais importantes do que deficiências físicas, sensoriais ou intelectuais.

O caminho para a evolução humana passa, obrigatoriamente, pelo autoconhecimento. Enxergar no outro nossas dificuldades, nossos defeitos, nossas falhas, e descobrir que somos todos imperfeitos, frágeis, quebradiços, nos conduz à libertação de estigmas, julgamentos e, principalmente, de preconceitos.

Segundo a psicóloga e psicoterapeuta Adriana Marques Moncorvo, o preconceito contra pessoas com deficiência (não apenas) surge do que é considerado estranho e incomodo, mas na verdade é muito familiar. “Tão familiar que provoca o retorno do mal estar que levou ao banimento”, explica.

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“Em ‘O Estranho’ (‘Das Unheimliche’, ensaio publicado em 1919), Freud afirma que ‘o preconceito diz mais da pessoa que exerce do que daquela sobre a qual é exercido’. Com essas palavras, ele oferece subsídios para se pensar o preconceito, afirma que aquilo estranho a nós causa-nos repulsa, evoca aquilo que em nós está recalcado, que não queremos reconhecer em nós mesmos”, destaca a psicóloga.

De acordo com Adriana Moncorvo, a deficiência do outro é um o espelho dos nossos monstros. “Acredito que a experiência de estranheza refere-se à identificação de algo no outro que esta presente em mim, mas não é aceito como próprio, e banido da nossa mente”.

“Esse mal estar que pode levar à agressividade contra o outro ‘estranho’. Essa agressividade vem em forma de preconceito, julgamentos, piadas de mal gosto, bulling, etc”, conclui a psicoterapeuta.

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