“É mentira. Vou processar a Caixa”

“É mentira. Vou processar a Caixa”

Muitos dizem que casos como esse são usados para disseminar o 'coitadismo'. É um grande erro. Situações assim servem de exemplo. Precisam ser divulgadas ao máximo, porque todos os cidadãos têm direito de ir e vir. E todas as instituições têm a obrigação de garantir acesso total, para todas as pessoas. O fato relatado por Leonardo David se multiplica em todo o País. Falta conhecimento sobre acessibilidade e, principalmente, sobre CIDADANIA no Brasil.

Luiz Alexandre Souza Ventura

15 Dezembro 2014 | 12h05

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O que você precisa saber sobre pessoas com deficiência

Leonardo David teve a perna direita amputada em 2009. Foto: Arquivo Pessoal

Leonardo David teve a perna direita amputada em 2009. Foto: Arquivo Pessoal

Atualizado às 18h40 – O operador Leonardo David, de 28 anos, pretende processar a Caixa Econômica Federal, após ter sido impedido de entrar, na semana passada, em uma agência no Rio de Janeiro. O caso foi divulgado por este blog, com exclusividade. Leonardo teve a perna direita amputada em 2009, após ser atingido por um carro que avançou o sinal vermelho, e usa muletas.

Na última quinta-feira, 11, ele foi ao banco, no bairro de Pilares, em ficou ‘preso’ na porta giratória. “Ao chegar, o segurança me obrigou a dar as muletas e tentou me forçar a entrar pulando pela porta giratória, me constrangendo na frente de todos que estavam entrando ou saindo da agência”, diz.

Questionada sobre o caso, a Caixa respondeu que “foram apresentadas medidas alternativas, como o uso do detector de metais portátil manual, recusado pelo cliente. Ao solicitar entrada pela porta lateral, o cliente foi esclarecido sobre a utilização reservada a cadeirantes e portadores de marcapasso após a utilização do detector portátil manual”.

Agência da Caixa Econômica Federal em Pilares, no Rio de Janeiro. Foto: Reprodução/Google Maps

Agência da Caixa Econômica Federal em Pilares, no Rio de Janeiro. Foto: Reprodução/Google Maps

Segundo Leonardo, a proposta nunca foi feita. “Só consegui entrar no banco após a chegada da polícia. A agência tem câmeras, apontadas para a porta giratória de entrada, que devem ter registrado o agente de segurança me tomando as muletas e eu desistindo de entrar, pois não poderia entrar sem elas. Eu tentei entrar pela porta lateral e meu pedido foi negado. Em momento algum foi oferecido a utilização de detector de metais portátil. A Caixa respondeu com uma inverdade. Não sou um homem ignorante e, com base nessa resposta, vou processá-los”, ressalta.

O blog Vencer Limites entrou em contato, mais uma vez, com a Caixa Econômica Federal, mas ainda não houve resposta.

Opinião – Muitos dizem que casos como esse são usados para disseminar o ‘coitadismo’. É um grande erro. Situações assim servem de exemplo. Precisam ser divulgadas ao máximo, porque todos os cidadãos têm direito de ir e vir. E todas as instituições têm a obrigação de garantir acesso total, para todas as pessoas. O fato relatado por Leonardo David se multiplica em todo o País. Falta conhecimento sobre o significado real e amplo do que é acessibilidade. E, principalmente, sobre o que significa a CIDADANIA no Brasil.