Erros e acertos na contratação de pessoas com deficiência

Erros e acertos na contratação de pessoas com deficiência

Na busca frenética para cumprir as exigências da Lei de Cotas, empresas oferecem posições menores e perdem a oportunidade de encontrar profissionais qualificados para cargos de liderança. Apostar na capacitação constante é estratégico e reduz a rotatividade. Parcerias com instituições mostram bons resultados.

Luiz Alexandre Souza Ventura

17 Julho 2017 | 10h56

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Aerton Ferreira, de 44 anos, analista de RH da Agropalma. Marluce Alves, de 37, é assistente administrativa. Foto: Divulgação

Aerton Ferreira, de 44 anos, analista de RH da Agropalma. Marluce Alves, de 37, é assistente administrativa. Foto: Divulgação


Um dos principais erros do mercado corporativo na busca e contratação de pessoas com deficiência, quase sempre de forma apressada para cumprir as exigências da Lei nº 8.213/1991 – a Lei de Cotas -, é oferecer somente posições menores, iniciais, que exigem baixa capacitação. Dessa forma, essas companhias deixam de perceber a existência de profissionais qualificados para posições estratégicas e de liderança.

A avaliação é feita por Marcella Novaes, gerente de recursos humanos da Agropalma, empresa com sede em Belém, no Pará, e maior produtora de óleo de palma da América Latina. Desde 2011, a companhia aposta em um projeto de inclusão e mantém atualmente mais de 200 pessoas com deficiências físicas, intelectuais e sensoriais em seu quadro funcional.


“Essa política ganhou corpo com a necessidade de atender à legislação e temos muitos profissionais dedicados a esse trabalho”, diz a gerente. “A qualificação ainda é um dificultador no processo, mas investir em treinamento e formação, com parceiros como Senai, Senar e escolas técnicas, possibilita a evolução”.

Para Aerton Ferreira, de 44 anos, analista de RH da Agropalma, o crescimento foi rápido. “Acredito que o acesso de pessoas com deficiência ao trabalho está muito melhor do que há dez ou 20 anos. O País é mais inclusivo, mas com certeza ainda pode melhorar”.

Empresa tem unidades em Belém e Tailândia, no Pará, na cidade de São Paulo e também em Limeira, no interior paulista. Imagem: Reprodução

Empresa tem unidades em Belém e Tailândia, no Pará, na cidade de São Paulo e também em Limeira, no interior paulista. Imagem: Reprodução


“Já passei por várias empresas e percebia interesse somente em cumprir cotas, sem oportunidades reais para mim. Dá para notar quando você se candidata a uma vaga que tem a ver com seu perfil profissional, mas quando te contratam, dizem que seu cargo não será exatamente aquele”, comenta. “Também há empresas que não dão oportunidades para que as pessoas com deficiência cresçam e mudem de cargos”, afirma Ferreira, que convive com as sequelas da paralisia infantil.

A assistente administrativa Marluce Alves, de 37 anos, funcionária da Agropalma há seis anos, teve pleno acesso à educação, mas o preconceito esteve presente desde sua infância. Com restrições de mobilidade na perna, sequela de uma injeção mal aplicada quando tinha um ano de vida, ela observa de forma positiva a iniciativa da empresa, principalmente no que diz respeito à qualificação dos colaboradores, e defende a abertura de oportunidades para pessoas com todos os níveis educacionais

“Todos têm algum tipo de deficiência. A nossa só é mais visível. A pessoas também têm de superar as próprias dificuldades. Alguns ‘normais’ não conseguem se destacar, então, estudam e vão à luta”, diz Marluce.

“Algumas pessoas ficam perplexas ao verem que alguém com limitações conquista algo que, muitas vezes, uma pessoa ‘comum’ não conseguiu. Isso surpreende. Com comprometimento e dedicação, tudo é possível para pessoas com ou sem deficiência”, conclui Aerton Ferreira.

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