Fazer xixi com dignidade

Fazer xixi com dignidade

Soluções para pessoas com lesão na medula que perderam o controle da bexiga trazem mais conforto e segurança. Atleta paralímpico da Seleção Brasileira de Rugby conta em palestra como o uso de cateter hidrofílico modificou sua rotina, inclusive nos treinos. Dinamarca é país referência na tecnologia.

Luiz Alexandre Souza Ventura

07 Julho 2017 | 15h43

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Atleta paralímpico da Seleção Brasileira de Rugby, Rafael Hoffmann, ministrou palestra na Embaixada da Dinamarca. Imagem: Divulgação

Atleta paralímpico da Seleção Brasileira de Rugby, Rafael Hoffmann ministrou palestra na Embaixada da Dinamarca. Imagem: Divulgação


É nos detalhes mais simples que a rotina de uma pessoa com deficiência pode ser transformada. Muito além da busca por acessibilidade, da luta pela inclusão e das batalhas por respeito e cidadania, estão os cuidados com a saúde, que precisam ser constantes e específicos para garantir qualidade de vida.

Para pessoas com lesão na medula e interrupção da comunicação entre o cérebro e a bexiga, o ato de fazer xixi é complexo e exige equipamentos adequados. E quando estes dispositivos não estão disponíveis ou não oferecem boas condições de uso, como os cateteres de PVC, podem surgir infecções e até a falência dos rins.

Essas e outras experiências foram apresentadas pelo atleta paralímpico da Seleção Brasileira de Rugby, Rafael Hoffmann, durante palestra em Brasília, na Embaixada da Dinamarca, país referência no uso de cateterismo hidrofílico, procedimento padrão adotado no país por reabilitados que se adaptam à cadeira de rodas.

Cateter hidrfílico traz mais conforto e segurança. Imagem: Divulgação

Cateter hidrfílico traz mais conforto e segurança. Imagem: Divulgação


“Eu passava por ciclos de antibiótico a cada três por causa da falta de lubrificação no PVC. É complicado porque eu ficava fora dos treinos”, contou Hoffmann. “Em 2013, quando conheci o cateter hidrofílico, pensei que não havia no Brasil, mas existe. Em Curitiba, é fornecido pelo SUS”.

Segundo o Ministério da Saúde, seis mil novos casos de lesão medular são registrados todos os anos no País. Homens jovens são 80% dos atingidos. O equipamento hidrofílico não está acessível em toda a rede pública da saúde, que fornece principalmente cateter de PVC, material rígido que sofre alterações com a temperatura e exige lubrificação constante.

Antes da palestra do atleta, o embaixador da Dinamarca, Kim Hojlun Christensen, destacou os avanços tecnológicos e ressaltou a importância de políticas públicas para defesa das pessoas com deficiência. “Houve grande avanço nos últimos anos para ampliar direitos e liberdades das pessoas com deficiência, mas os desafios do dia a dia de cadeirantes são permanentes, no Brasil e na Dinamarca”.




Uma prática comum e bastante perigosa ainda presente do Brasil é a reutilização do cateter. Conforme explicações do urologista José Carlos Truzzi, Segundo o especialista, “é uma irresponsabilidade, sem contar que o risco de infecção urinária entre pacientes que usam cateteres comuns é quatro vezes maior do que os que usam cateteres hidrofílicos”, destacou o especialista. “Até 2050, não teremos nenhum antibiótico passível de tratar nenhuma infecção. Vamos voltar ao passado e morrer, por exemplo, de uma infecção de garganta. É fundamental diminuir os riscos na hora de esvaziar a bexiga”.

Truzzi destacou que cateteres lubrificados, apesar de mais caros que os oferecidos na maior parte do SUS, evitam gastos com internações e medicamentos para contornar as consequências de infecções urinárias de repetição.

A Coloplast é fabricante do cateter distribuído na rede de saúde dinamarquesa e também em algumas cidades brasileiras. A empresa mantém um projeto que atende mais de 14 mil pacientes, com assistência de enfermeiros, em 136 países, para orientar pessoas com lesão medular sobre o uso correto do cateter para esvaziamento da bexiga.

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