“É preciso pagar para ter atletas de alto nível”

“É preciso pagar para ter atletas de alto nível”

Fernando Guimarães, técnico da Seleção Brasileira Masculina de Vôlei Sentado, faz uma avaliação sobre a situação atual do esporte paralímpico no Brasil e defende a educação como ferramenta de integração. "É preciso tirar as crianças com deficiência de casa e levá-las para a escola".

Luiz Alexandre Souza Ventura

16 Dezembro 2014 | 13h18

Curta Facebook.com/VencerLimites
Siga @LexVentura
Mande mensagem para blogvencerlimites@gmail.com
O que você precisa saber sobre pessoas com deficiência

Fernando Guimarães, técnico da Seleção Brasileira Masculina de Vôlei Sentado. Foto: Fernando Borges

Fernando Guimarães, técnico da Seleção Brasileira Masculina de Vôlei Sentado. Foto: Fernando Borges

Vencer Limites – Qual a sua avaliação sobre a situação atual do esporte para pessoas com deficiência no Brasil?
Fernando Guimarães – O Brasil não está bem preparado nem no esporte convencional, quanto mais no esporte para pessoas com deficiência. O presidente do Comitê Paralímpico tem feito muito, mas ainda falta investimento e muito a ser desenvolvido. Ainda mais quando consideramos que o Brasil é o primeiro país em número de pessoas com deficiência.

Vencer Limites – E a estrutura paralímpica? A preparação dos atletas está acontecendo? Quais as principais dificuldades?
Fernando Guimarães – Esperamos que com a paralimpíada tudo melhore. Pelo menos que fique a infra-estrutura dos jogos para que possamos usar no futuro. Mas as dificuldades ainda são grandes. Se queremos atletas de alto nível é preciso pagar por atletas de alto nível, que precisam se dedicar muito ao esporte.

Vencer Limites – Como o esporte pode colaborar na vida de uma pessoa com deficiência?
Fernando Guimarães – Não gosto do termo inclusão porque quando nascemos em um lugar já somos parte dele e, por isso, vejo que o esporte tem muitos benefícios que podem melhorar a vida de todos e não somente de uma pessoa com deficiência. Mas enquanto não tivermos estrutura para oferecer o esporte para todos, não vamos melhorar.

Vencer Limites – Qual a sua sugestão para melhorar o incentivo à prática esportiva por pessoas com deficiência?
Fernando Guimarães – Acredito que é preciso uma maior divulgação do esporte paralímpico nas escolas através de paralimpíadas. Além disso é preciso um trabalho para tirar as crianças com deficiência de dentro de casa e levá-las para a escola. Muitas vezes elas ficam reclusas e, por isso, não têm a oportunidade de descobrir essa possibilidade do esporte. Se não tivermos esse trabalho de base, fica muito difícil irmos adiante no esporte.

Neste mês, entre os dias 2 e 7, foi realizado no Círculo Militar do Paraná, em Curitiba, o Campeonato Brasileiro de Vôlei Sentado. Patrocinado por Seguros Unimed e Eco Rodoviasreuniu atletas como Wagner, Levi, Fred e Giba, que pertencem à Seleção Brasileira Masculina de Vôlei.

O Brasil é o atual vice-campeão mundial de vôlei sentado e, nas Paralimpíadas de Londres (2012), a seleção brasileira terminou em quinto lugar.

Saiba mais – O Voleibol Sentado surgiu em 1956, na Holanda, a partir da combinação do atletismo e do sitzball, esporte alemão sem rede, e no qual as pessoas jogavam sentadas.

As primeiras competições internacionais aconteceram no ano de 1967, mas foi apenas em 1978 que a Organização Mundial de Voleibol para Deficientes (WOVD, em inglês) teve o esporte reconhecido pela Organização Mundial de Esportes para Deficientes (ISOD, em inglês), aceitando o Voleibol Sentado como parte do programa da entidade. Desde 1993 acontecem Mundiais, tanto no masculino como no feminino.

A entrada do esporte nos Jogos Paralímpicos aconteceu no ano de 1980, quando o evento foi realizado na cidade holandesa de Arnhem, apenas para os homens. As competições femininas, por sua vez, passaram a fazer parte do programa na edição de 2004, em Atenas.

No Voleibol Sentado competem atletas amputados, principalmente de membros inferiores, pessoas com outros tipos de deficiência locomotora (sequelas de poliomielite, por exemplo), com sequelas permanentes no joelho, quadril, tornozelo ou semelhante, e les autres – neste caso, com certas amputações, paralisia cerebral, lesão medular e poliomielite.

O Voleibol Sentado guarda muitas semelhanças com o esporte olímpico, como os fundamentos, sistema tático e pontuação, com sets de 25 pontos corridos e 15 no tie-break. O esporte é um dos mais dinâmicos no programa paraolímpico.

Contudo, há adaptações para as pessoas com deficiência: entre elas estão a altura da rede, de 1,15 metro para os homens e 1,05m para as mulheres, contra 2,43m e 2,24m, respectivamente, e a quadra, que se divide em zonas de ataque e defesa, mede 10 x 6m, menor em relação ao 9 x 18m do esporte convencional.

Todos os atletas têm de jogar sentados e não há problemas se acontecer o contato das pernas de jogadores de um time com os do outro, porém as mesmas não podem atrapalhar o jogo do adversário. O contato com o chão precisa ser mantido em toda e qualquer ação, com exceção dos deslocamentos em quadra. No Voleibol Sentado, o saque pode ser bloqueado.

O Voleibol Sentado surgiu em 1956, na Holanda. Foto: Divulgação

O Voleibol Sentado surgiu em 1956, na Holanda. Foto: Divulgação

Mais conteúdo sobre:

Esporte ParalímpicoVôlei Sentado