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Mapa tátil de Mesquita

Luiz Alexandre Souza Ventura

10 junho 2014 | 12:59

Alunos do curso de braille da rede municipal de Mesquita, na região metropolitana do Rio de Janeiro, orientados pelo professor Francisco Antônio de Souza, desenvolveram um mapa tátil da cidade. O objetivo do trabalho é mostrar os diferentes bairros e suas caracetísticas, a partir dos materiais utilizados.

“A cidade é composta por 17 bairros, e cada bairro tem uma textura diferente. Queremos a inclusão de fato, para que as pessoas com deficiência visual possam conhecer melhor sua cidade”, diz o professor Francisco.

A produção do mapa tátil precisou de materiais simples, como madeira, algodão, diversos tipos de papel, barbante, cola e tinta. É um exemplo de que garantir acessibilidade não é uma missão tão difícil e pode ser criada principalmente com boa vontade.

O professor - Francisco Antônio de Souza é funcionário do Instituto Nacional do Câncer (INCA) há 28 anos e afirma: “É uma realização profissional”. Cego desde os 17 anos, após bater a cabeça em uma trave durante uma partida de futebol, formou-se em Pedagogia no Centro Universitário Celso Lisboa e, hoje com 49 anos, ministra aulas de braile em Mesquita, na região metropolitana do Rio de Janeiro. “Essa é uma realização pessoal”, diz.

Em meados de 2006, foi homenageado pelo município em um livro, no qual defende a perseverança diante das dificuldades. “A educação não começa na escola. Vem do lar, da nossa casa. A escola dá continuidade ao que os pais ensinam. As pessoas com deficiência não devem abandonar seus objetivos por causa dos que alguns chamam de limitações”.

E foi essa virtuosidade que garantiu ao professor Francisco muitas conquistas. Ele foi o 10º colocado em um concurso público na cidade e diz que “o caso da pessoa com deficiência visual é mais complexo. Se a prova tem dez folhas e solicitamos a versão em braile, já começamos em desvantagem, porque o número de páginas sobe para 20 ou 25. E mesmo se optarmos por um ‘ledor’ (alguém para ler a prova), ele precisa ser bom nisso e muito paciente”.

Professor Francisco começou a ministrar as aulas de braile em 2013, atendendo a convite da Secretaria de Educação de Mesquita e, a partir deste ano começou a ensinar Soroban, (instrumento para cálculo, originalmente chinês, levado para o Japão em meados de 1600), curso que ele já ministrou em Niterói, Friburgo e Campos, todos municípios do Estado do Rio de Janeiro.

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