Oito assaltos e nenhuma resposta

Oito assaltos e nenhuma resposta

Centro Bem-Me-Quer, que cuida de pessoas com deficiência, acumula prejuízos por causa da ação de criminosos. A sede atual, em Osasco (SP), foi invadida duas vezes em menos de um ano. Em uma delas, duas cadelas terapeutas foram envenenadas. Instituição criou campanha de financiamento coletivo para reforçar segurança.

Luiz Alexandre Souza Ventura

12 Janeiro 2017 | 14h29

“Além de levar vários itens, envenenaram nossas duas cadelas terapeutas”, explica Bernadete Roncoli, diretora do Centro Bem-Me-Quer. Imagem: Divulgação

O Centro de Desenvolvimento Social, Educacional e Cultural Bem-Me-Quer, que fica em Osasco (SP), cuida atualmente de 53 pessoas com deficiência intelectual (Síndrome de Down, Transtorno do Espectro Autista (TEA), paralisia cerebral e outras síndromes raras), e deve chegar a 60 atendidos neste ano.

A casa oferece fisioterapia, fonoaudiologia, psicologia, terapia ocupacional, esporte adaptado, musicoterapia, arte terapia, pet terapia, pedagogia de grupo ou individualizada, psicopedagogia, dança adaptada, alfabetização, atendimento psicomotor em Libras (Língua Brasileira de Sinais) e estimulação psicomotora em bebês.

Além da contribuição dos familiares das pessoas atendidas, valor que varia conforme o poder financeiro de cada um, o centro recebe doações. Fundado há sete anos, já passou por três sedes, duas em Carapicuíba, também da Grande SP, e a mais recente em Osasco.

Nesse período, a instituição foi assaltada oito vezes. Cinco invasões ocorreram na primeira casa de Carapicuíba. Outra quando eles ocupavam uma igreja, por comodato, já em Osasco. E duas na sede atual.

Centro de Desenvolvimento Social, Educacional e Cultural Bem-Me-Quer, em Osasco (SP), cuida de 53 pessoas com deficiência. Imagem: Divulgação

Centro de Desenvolvimento Social, Educacional e Cultural Bem-Me-Quer, em Osasco (SP), cuida de 53 pessoas com deficiência. Imagem: Divulgação

No último dia 2 de janeiro, uma televisão foi furtada, mas os coordenadores decidiram não procurar a polícia porque já estão cansados de pedir apoio e não receber nenhuma resposta.

Em 12 de maio de 2016, a sede de Osasco foi invadida e os criminosos levaram um DVD player, uma TV de 42 polegadas, duas impressoras, dois notebooks e duas torres de CPU, uma furadeira, uma serra maquita e R$ 60 em dinheiro.

“Além de levar vários itens, envenenaram nossas duas cadelas terapeutas”, explica Bernadete Roncoli, diretora do Centro Bem-Me-Quer.

Um boletim de ocorrência (nº 940/2016) foi registrado no 6º DP de Osasco, no qual consta somente o crime de furto qualificado, mas não há qualquer menção ao envenenamento das cadelas. O documento é assinado pelo delegado Antonio Carlos Gomes e pela escrivã Isabel Figueiredo Ianella.

Boletim de ocorrência foi registrado no 6º DP de Osasco. Imagem: Reprodução

Boletim de ocorrência foi registrado no 6º DP de Osasco. Imagem: Reprodução

“Nós indicamos um suspeito porque as cadelas são treinadas para reagir na presença de estranhos, mas o assaltante conseguiu colocar chumbinho na água e na comida delas com facilidade. Apesar de todas as informações que fornecemos, não houve nenhuma resposta”, diz. “As cadelas sobreviveram”, conta Bernadete.

Para tentar fortalecer a segurança, a instituição criou uma campanha de financiamento coletivo no site Vakinha. A meta é atingir R$ 30 mil até o final de março (para contribuir, clique aqui).

Procurada pelo #blogVencerLimites, a secretaria de Segurança de Osasco informou que a Guarda Municipal irá intensificar as rondas na região e que vai procurar os coordenadores do Centro Bem-Me-Quer para saber mais sobre os casos e verificar que tipo de auxílio pode oferecer à instituição. A administração municipal ressaltou que não tem como responder por ações da gestão anterior, que terminou em dezembro.

Cadelas envenenadas sobreviveram. Imagem: Divulgação

Cadelas envenenadas sobreviveram. Imagem: Divulgação

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