Projeto resgata autoestima de mulheres com deficiência

Projeto resgata autoestima de mulheres com deficiência

'ParaNoivas' combate o preconceito e incentiva a realização da cerimônia de casamento, além de apresentar opções de vestidos adaptados e direcionar os eventos a locais que contemplam todos os recursos de acessibilidade. "A autoestima é a base para o ser humano", diz psicóloga.

Luiz Alexandre Souza Ventura

18 Janeiro 2017 | 11h02

“A autoestima é a base para o ser humano”, diz a psicóloga Adriana Marques Moncorvo. Imagem: Divulgação

As percepções da maquiadora Juliana Rezende sobre o universo da pessoa com deficiência tornaram-se mais abrangentes a partir de sua participação como voluntária nos Jogos Paralímpicos Rio 2016. Um legado do evento que ultrapassa o mundo do esporte.

Em seu ambiente de trabalho, Juliana está acostumada a deixar as pessoas mais bonitas. E, no mercado dos casamentos, ela descobriu uma exclusão silenciosa. Mulheres com deficiência que desistiam de realizar a desejada cerimônia e celebrar a felicidade porque não encontravam locais apropriados, vestidos que atendessem às suas necessidades e, principalmente, profissionais interessados na diversidade.

Juliana criou então o ‘ParaNoivas’, que chama atenção para inclusão e resgata a autoestima de mulheres com deficiência. “Eu comecei com o projeto para dar mais atenção a essas noivas. Ninguém faz vestidos adaptados, por exemplo. As casas de festas também não se preocupam com a questão da acessibilidade para a noiva e precisamos falar sobre o assunto”, diz a maquiadora.

“Essas mulheres precisam de estímulos, precisam se perceber além da deficiência”. Imagem: Divulgação

Mas a mudança no visual, ainda que somente por algumas horas, e a concretização de uma vontade têm resultados efetivos? A resposta é sim, de acordo com a psicóloga e psicoterapeuta Adriana Marques Moncorvo.

“A autoestima é a base para o ser humano. É a cura para todas as dificuldades e sofrimentos”, afirma Adriana. “Sabemos que ela se forma na infância, a partir de como as outras pessoas nos tratam. Perde-se a autoestima quando se passa por muitas decepções, frustrações, quando não se é reconhecido como pessoa ‘normal'”, explica.

Segundo a psicóloga, a falta de auto reconhecimento nos abala profundamente. “Essas mulheres precisam de estímulos, precisam se perceber além da deficiência. Na medida em que se enxergam maquiadas, fotografadas, bonitas, elogiadas, vão resgatando sua autoestima e percebendo possibilidades”, ressalta a psicoterapeuta.

A maquiadora Juliana Rezende criou o 'ParaNoivas', que chama atenção para inclusão e resgata a autoestima de mulheres com deficiência. Imagem: Divulgação//Brisa Barra Hotel

A maquiadora Juliana Rezende criou o ‘ParaNoivas’, que chama atenção para inclusão e resgata a autoestima de mulheres com deficiência. Imagem: Divulgação/Brisa Barra Hotel

“Elas passam a confiar em si mesmas, passam a ouvir sua intuição, acreditar na voz de dentro, reconhecem seus valores, respeitam seus limites, percebem que estão ganhando voz e espaço antes tolido pela própria condição”, explica. “Essas mulheres se sentem resgatadas, observadas, passam a ser valorizadas. Claro que tudo isso vem de forma gradativa, exige trabalho e conscientização. Todos estamos em busca do amor, principalmente do amor próprio e de ser aceito pelo o outro”, conclui Adriana Moncorvo.

Muitos ‘nãos’ – Para conseguir elaborar todo o material de divulgação do projeto, Juliana esbarrou em preconceitos severos e recebeu inúmeros “nãos” de locais para fazer as fotos, de empresas de vestidos de noivas, de fotógrafos. E ouviu muitas vezes a frase “não quero fazer parte disso”.

Participam do ‘ParaNoivas’ os fotógrafos Deco Monteiro, Elienai Pedrosa e Fernanda Leite, a estilista Leila Couto Rocha (que reinventou um modelo especialmente para o projeto), Veronica Nascimento (que faz os buquês), a esteticista Márcia Albuquerque (Espaço Terra Santa, em Teresópolis/RJ), o Brisa Barra Hotel, a assistente de make-up Angela Vidal, além de Renata Rodrigues Queiroz e da assistente geral Ivy Ferrer.

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