Youtubers surdos e a inclusão na internet

Youtubers surdos e a inclusão na internet

Jovens compartilham experiências, tratam de assuntos do cotidiano, promovem debates culturais, ensinam Libras e escancaram o desconhecimento da sociedade sobre o universo das pessoas com deficiência.

Luiz Alexandre Souza Ventura

07 Fevereiro 2018 | 12h05

Jovens compartilham experiências, tratam de assuntos do cotidiano, promovem debates culturais, ensinam Libras e escancaram o desconhecimento da sociedade sobre o universo das pessoas com deficiência (crédito da foto: reprodução). Imagem para cego ver: Montagem com quatro jovens, três rapazes e uma moça, todos fazendo sinais de Libras.

Jovens compartilham experiências, tratam de assuntos do cotidiano, promovem debates culturais, ensinam Libras e escancaram o desconhecimento da sociedade sobre o universo das pessoas com deficiência (crédito da foto: reprodução). Imagem para cego ver: Montagem com quatro jovens, três rapazes e uma moça, todos fazendo sinais de Libras.


A internet apresentou as pessoas com deficiência para o mundo e ajuda a eliminar as barreiras construídas pela sociedade que impedem a inclusão real. Promove a evolução do conhecimento de muitas maneiras e abre as portas para a diversidade.

Vídeos sobre qualquer tema publicados no YouTube, um fenômeno global, são ferramentas para conquista de fama e dinheiro, mas também servem a uma causa muito mais profunda e importante: a inclusão.

Reportagem do Huffpost Brasil mostra como jovens surdos têm usado a internet para compartilhar experiências, tratar de assuntos do cotidiano, promover debates culturais, ensinar Libras (Língua Brasileira de Sinais) e, principalmente, para escancarar o desconhecimento da sociedade sobre esse universo.

“Nos sentíamos excluídos pelos ouvintes, mas agora estamos convivendo muito mais, aprendendo o português e ensinando Libras”, diz Tainá Borges, 16 anos, que é surda em mora em Caxias do Sul (RS), de onde comanda, junto com o irmão Andrei Borges, também surdo, o canal Visurdo.

“A internet é uma das ferramentas mais importantes para ter contato com a comunidade ouvinte. Não tem muitos intérpretes de Libras na televisão, em escolas, palestras ou eventos”, afirma a youtuber.

“Também não há muitas escolas bilíngues boas para os surdos. Se você buscar na internet ou em livros, encontra ótimos conteúdos sobre Libras, mas falta um lugar para compartilhar nosso dia a dia e interesses, os mesmo dos ouvintes. Nosso canal mostrar para os ouvintes que eles precisam reconhecer a nossa língua”, destaca Tainá.


Outro destaque é Léo Viturinno, que começou no Tumblr, criando gifs, pulou para o YouTube, onde debate o mundo dos surdos e até questões LGBTs, e criou a a partir do Instagram campanha #YoutuberPõeLegenda para incentivar outros produtores de conteúdo a lembrar de quem consegue apenas ler os vídeos.

“Então, galera, sabia que aqui no Brasil existem mais de 9 milhões de pessoas surdas ou com deficiência auditiva? Pois é, a comunidade surda e eu estamos pedindo a todos os Youtubers para colocarem legendas ou Closed Caption (CC) nos vídeos para que os surdos acompanhem melhor”, pediu o jovem.


Quem também ganhou as redes foi Germano Dutra Junior, o Surdo Cult, que publica comentários sobre filmes, séries e personagens da cultura nerd, além de novelas e histórias em quadrinhos.


Com a aposta em posicionamentos mais contundentes, Gabriel Isaac também é uma referência na comunidade surda na internet. Exemplos são o vídeo sobre o ‘Dia dos Surdos’ e sobre o tema da redação do Enem de 2017.


E tem ainda o canal É Libras, que trata de comportamento e relacionamento para a comunidade surda.

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