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300 PMs por dia farão patrulhamento na Maré até a entrada do Exército

Marcelo Gomes - O Estado de S. Paulo

31 Março 2014 | 16h 31

Patrulha começa um dia após a ocupação pelas forças de segurança das 16 favelas do complexo, na zona norte do Rio de Janeiro

Atualizada às 18h48

RIO - Um dia após a ocupação pelas forças de segurança do Complexo da Maré, na zona norte do Rio de Janeiro, o patrulhamento na região passou a ser feito ontem por 300 policiais militares por dia. Antes da ocupação, o controle do território das 16 favelas da Maré era dividido entre traficantes do Comando Vermelho e do Terceiro Comando Puro e milicianos. A reportagem circulou nesta segunda-feira, 31, por áreas onde as três facções atuavam e encontrou PMs apenas nas comunidades do tráfico.

Nenhum policial foi visto circulando pelas favelas Praia de Ramos e Parque Roquette Pinto, dominadas por milicianos. "O patrulhamento é mais reduzido nas áreas de milícia porque não faz parte do modo de atuação desses grupos resistir à ocupação policial. De qualquer forma continuamos à procura de foragidos ligados ao tráfico e à milícia", explicou ao Estado o tenente-coronel Paulo Henrique de Moraes, chefe do Estado Maior Operacional da PM.

Segundo o oficial, para o policiamento ostensivo serão deslocados para o complexo homens do Batalhão de Policiamento de Grandes Eventos (BPGE), recentemente criado para atuar nas manifestações de rua. Enquanto isso, agentes dos batalhões de Operações Especiais (Bope) e de Choque continuarão a vasculhar becos e vielas a procura de traficantes, armas e drogas.

"Com 300 policiais por turno, serão 1,2 mil homens no total. Somente aqui na Maré estamos com efetivo maior que o de um batalhão comum. Em média, os batalhões possuem cerca de 700 homens", disse Moraes, rebatendo críticas de moradores da Maré de que o policiamento na região teve sensível redução depois da saída dos jornalistas que cobriram a ocupação neste domingo, 30.

O esquema será mantido até a entrada das tropas do Exército na região, previsto para ocorrer no próximo fim de semana. O clima nesta segunda-feira era de normalidade na Maré: moradores circulavam pelas ruas e o comércio abriu.

Equipes do Exército estiveram ontem na Maré fazendo fotos e reconhecimento da região. O objetivo é fornecer subsídios para facilitar o trabalho dos militares, com informações detalhadas sobre o terreno, a aceitação da população e os possíveis pontos de resistência do tráfico. Conforme o Estado noticiou neste domingo, agências de inteligência alertaram para o risco de traficantes do CV atacarem viaturas do Exército na Maré, sobretudo os caminhões de transporte de soldados, que não são blindados. Há ainda informes sobre planos de ataques ao quartel do CPOR (Centro de Preparação de Oficiais da Reserva), na Avenida Brasil, perto da Maré.

Serviços públicos. Também nesta segunda-feira, a Secretaria de Saúde da prefeitura prometeu construir duas novas clínicas da família e ampliar o horário de atendimento dos três postos que já funcionam na região. "Antes da ocupação tínhamos grande dificuldade em contratar médicos e enfermeiros para as unidades da Maré por conta da violência. Agora vamos construir duas clínicas da família até o segundo semestre e ampliar o funcionamento das outras já instaladas das 17h para as 20h. O objetivo é aumentar a cobertura do Programa Saúde da Família na Maré dos atuais 65% para 100%", disse Daniel Soranz, subsecretário de Saúde.

Equipes das empresas municipais de Limpeza Urbana (Comlurb) e de Iluminação Pública (RioLuz) também iniciaram um mutirão na Maré. A Comlurb já retirou 140 toneladas de lixo e entulho. O secretário municipal de Conservação, Marcos Belchior, afirmou que espera recuperar o passivo em 15 dias.

A Secretaria Estadual de Assistência Social marcou uma reunião com representantes das associações de moradores da Maré para ouvir as principais necessidades da população. "É inadmissível que ainda haja pessoas sem documento de identidade e carteira de trabalho. Também vamos discutir questões como crianças fora da escola e famílias que têm direito aos benefícios sociais do governo mas que ainda não estão incluídas no cadastro único. Queremos zerar todas as demandas em dois meses", explicou o secretário Pedro Fernandes.

Alemão. Dois policiais militares da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) Nova Brasília, no Complexo do Alemão, zona norte do Rio de Janeiro, foram baleados ao trocarem tiros com traficantes no fim da noite de domingo. O confronto ocorreu na localidade conhecida como Areal. O soldado Gustavo Cordeiro, de 28 anos, foi atingido por um tiro no nariz, e a bala ficou alojada no pescoço. Ele foi hospitalizado e não corre risco de morte. Um outro policial identificado apenas como Moura foi baleado no braço. Ele foi socorrido para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Alemão e já teve alta.