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31 presos são assassinados em penitenciária em Roraima

Massacre aconteceu na madrugada desta sexta-feira, 6, em Boa Vista, no maior presídio do Estado; governo diz que 'possivelmente' o PCC é autor da matança; nesta semana, 60 detentos foram mortos por facção rival em Manaus

Cyneida Correia, Especial para o Estado

06 Janeiro 2017 | 09h44

BOA VISTA - Cinco dias após o massacre de 60 presos em prisões do Amazonas - a maior parte ligada à facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) -, outra matança dentro de penitenciária foi registrada nesta sexta-feira, 6, desta vez em Boa Vista, capital de Roraima. Segundo o governo do Estado, 31 detentos foram assassinados nesta madrugada, na Penitenciária Agrícola de Boa Vista (PAMC). Inicialmente, foram divulgados 33 mortos, mas o número foi corrigido pelo governo de Roraima. O ministro de Justiça, Alexandre Moraes, afirmou que um acerto de contas interno do PCC motivou o novo massacre - no início da semana, 60 presos foram mortos em prisões em Manaus.

De acordo com informações do governo, os detentos quebraram os cadeados e invadiram a Ala 5, a cozinha e o cadeião, onde estavam os presos de menor periculosidade e mataram os detentos.  A maioria das vítimas foi desmembrada, decapitada ou teve o coração arrancado. Os corpos foram jogados em um corredor que dá acesso às alas. Agentes penitenciários afirmam que não houve fugas.

Policiais militares do Batalhão de Operações Especiais (Bope) e agentes penitenciários do Grupo de Intervenção Tática (GIT) entraram na unidade pela manhã e, na sequência, equipes do Instituto Médico Legal (IML) iniciaram a remoção dos corpos. A penitenciária abriga cerca de 1.398 presos - o dobro da capacidade. Relatório do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) de 2014 classificava de "péssimas" as condições do presídio.

Segundo o secretário de Justiça e Cidadania de Roraima, Uziel Castro, o governo vem trabalhando para evitar brigas do PCC desde outubro, quando dez presos foram mortos. "Estamos nos precavendo desde muito tempo atrás. Identificamos e isolamos os detentos que se declararam do Comando Vermelho, transferindo-os para para a Cadeia Pública. Também identificamos e separamos os (presos) do PCC dentro da penitenciaria agrícola. Lá só tem gente do PCC e de facção nenhuma. Querem dizer que é vingança, mas não tem Família do Norte nem Comando Vermelho na penitenciária onde aconteceu a chacina. Acreditamos em divisão interna, pois os integrantes do PCC tinham ordens para eliminar os rivais e aproveitaram e mataram os seus inimigos. A barbárie foi muito grande."

Mensagem escrita com sangue dos mortos no chão da penitenciária palco do massacre, no entanto, levanta suspeitas sobre o que houve fato: "Quem manda aki (sic) é o sangue PCC. Se pagar (sic) com sangue".

Este é o terceiro maior massacre em presídios, em número de mortes, na história do Brasil, atrás apenas do ocorrido no Carandiru, em São Paulo, em 1992, quando 111 presos foram mortos, e de Manaus, onde foram mortos 60 presos esta semana.

 

 

Briga. Em outubro, na mesma penitenciária em Boa Vista, uma rebelião provocada por disputa entre o Comando Vermelho (CV) e o PCC deixou pelo menos dez presos mortos. Na ocasião, três vítimas foram decapitadas e sete tiveram os corpos queimados em uma grande fogueira no pátio da unidade. 

Todos os mortos seriam integrantes do Comando Vermelho, que domina cerca de 10% do presídio. Os outros 90% seriam controlados pelo rival PCC. Até junho passado, PCC e CV eram aliados na disputa pelo controle do tráfico na fronteira com o Paraguai.

Retaliação. Nesta sexta-feira, o Estado informou que a Polícia Civil de São Paulo investiga se o PCC repassou a “ordem” para que bandidos aliados se mobilizem para se vingar da facção criminosa Família do Norte (FDN), que matou 60 presos rivais em penitenciárias do Amazonas. 

O ponto de partida para a investigação é uma carta supostamente assinada pelo Comando Regional Norte do PCC, que circula em grupos de WhatsApp. Em um dos trechos, diz-se que “essa dita facção FDN será dizimada da face da terra”. Para isso, afirmam que contam com o apoio de bandidos do exterior e até de facções rivais.

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