37 mil adolescentes podem ser mortos até 2016, diz estudo

Pesquisa da UFRJ em parceria com a Unicef aponta que 45% das mortes de adolescentes no País são por homicídio

Antonio Pita, O Estado de S. Paulo

14 Dezembro 2012 | 10h40

RIO - O País poderá perder 37 mil adolescentes de 12 a 18 anos vítimas de homicídios até 2016. A projeção é feita com base no Índice de Homicídios na Adolescência (IHA), levantamento da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em parceira com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). A pesquisa identifica o risco de vida entre jovens desde 2005 e analisou dados do Ministério da Saúde e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 260 cidades com mais de 100 mil habitantes.
 
Segundo o estudo, 45% das mortes de adolescentes no País foram causadas por homicídios em 2010, ano da última pesquisa. O índice revela que três em cada mil jovens com 12 anos não chegarão até os 19 anos de idade. A taxa registrada em 2010 - de 2,98 jovens entre cada mil - representa um aumento de 14% em relação a 2009. Os mais afetados são os jovens negros do sexo masculino, com cerca de três vezes mais risco que os adolescentes brancos. 

A maior parte dessas mortes são causadas por armas de fogo, com risco cinco vezes maior em relação a outros meios. "A violência persegue a desigualdade", afirmou Helena Oliveira de Souza, pesquisadora do Unicef. Segundo ela, o racismo e as desigualdades de gênero e renda são determinantes para o aumento no índice de homicídios. "É preciso rever políticas baseadas só na segurança pública e na repressão, para que um ambiente de vulnerabilidade seja transformado em oportunidades." 

Nordeste. A situação mais grave está no Nordeste, que registrou crescimento de 59% no risco de vida entre 2005 e 2010, Entre os dez municípios com maior risco de homicídios entre jovens, cinco estão na região.Itabuna, no sul da Bahia, é a cidade com maior IHA do País - 10,59 jovens com risco de homicídio para cada mil adolescentes. 

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