41% dos paulistanos aprovam 2 dias de rodízio, diz pesquisa do Ibope

Estudo pedido pelo Movimento Nossa São Paulo aponta que 75% deixariam carro em casa se transporte melhorasse

Naiana Oscar, O Estadao de S.Paulo

11 Outubro 2007 | 00h00

O caos no trânsito de São Paulo chegou a tal ponto que boa parte da população já aceita com naturalidade o rodízio de veículos. Realizada pelo Ibope e divulgada ontem, a pesquisa encomendada pelo Movimento Nossa São Paulo sobre mobilidade na capital mostra que 41% da população concordaria em ampliá-lo para dois dias. Para o presidente do movimento, Oded Grajew, é uma prova de que os paulistanos estão mais conscientes em relação aos problemas da cidade. "As pessoas estão se dando conta de que essa situação é suicida e precisa mudar", disse. "Ficamos surpresos com esse número." Criador do rodízio em 1995, o consultor Fábio Feldmann também se surpreendeu, mas inversamente. Para ele, a aceitação da medida, 12 anos depois, deveria ser bem maior. "Na época a população nos apoiou em peso. A adesão não foi tanta, mas o apoio foi geral." De qualquer forma, Feldmann não acredita que deixar o carro em casa mais de uma vez na semana seja a solução para o trânsito na cidade. Ele afirma que o rodízio não pode ser adotado isoladamente. "Sozinho ele perde a eficácia. Por isso já está esgotado." O especialista em trânsito Sérgio Costa não vê a ampliação do rodízio com bons olhos. Segundo ele, por questão logística, seria inviável aumentar o número de placas num mesmo dia. "O povo vai ter dificuldade para decorar, não dá certo." Mas nas ruas é fácil encontrar quem comprove a pesquisa. A estudante Carolina Guerra, de 20 anos, tem carro e não se importa de deixá-lo na garagem. "Seria ótimo porque cada vez mais o trânsito está uma loucura." Quando pode, ela faz os trajetos a pé ou de metrô. Nem todo motorista trocaria o conforto do carro pela incerteza do transporte público. Mas, segundo a pesquisa, 75% dos paulistanos que se deslocam em automóveis usariam ônibus, trem ou metrô, com uma condição: o sistema teria que melhorar. Entre as exigências, 37% dos entrevistados pedem mais linhas de ônibus; 33%, redução no tempo de espera; e 26%, passagens mais baratas. Metade da população quer a ampliação dos sistemas de metrô e trem. As ciclovias também estão em pauta. Numa cidade em que 370 mil pessoas se deslocam de bicicleta todos os dias, a construção de novas ciclovias é uma exigência de 36% dos paulistanos. Junto, vem o pedido por mais segurança: 31% da população acha que os ciclistas precisam de mais atenção. Na pesquisa, os entrevistados deram notas de 1 a 10 para vários aspectos ligados ao trânsito de São Paulo. A ocorrência de problemas respiratórios ganhou a pior nota, 3,2. O item mais bem avaliado foi a qualidade de vida: 5,7. Estranho? A estudante Carolina Guerra explica o resultado: "É que a gente reclama, mas no fundo ama esta cidade." NÚMEROS 1,7milhão de motoristas de São Paulo usam carro todos os dias ou quase todos os dias 50% das pessoas ouvidas na pesquisa pediram a ampliação dos sistemas de metrô e trem 84% dos entrevistados são contra o pedágio urbano na capital paulista

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