Ernesto Rodrigues/AE
Ernesto Rodrigues/AE

À espera de Marina

Candidata com quase 20 milhões de votos, ela espera definir em até dez dias sua posição para o 2º turno; enquanto PT e PSDB se articulam, alguns líderes do PV, como Gabeira, declararam voto em Serra

, O Estado de S.Paulo

05 Outubro 2010 | 00h00

Detentora de quase 20 milhões de votos no domingo, que levaram a decisão para o segundo turno, a candidata Marina Silva (PV) foi procurada ontem mesmo, por telefone, pelos presidenciáveis Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB), mas já deu a entender, através de colaboradores, que a definição sobre quem apoiará no segundo turno só acontecerá dentro de 15 dias - tempo mínimo para discutir com lideranças verdes e avaliar os programas de cada um.

Vista pelos dois lados como fator decisivo para o segundo turno, Marina não afasta a possibilidade de se manter neutra - ainda que outras lideranças do PV, como Fernando Gabeira, já tenham fechado com Serra. Petistas e tucanos sabem que se trata de um eleitorado crucial: mais de 60% do apoio a Marina partiu, no domingo, de grandes cidades.

Menos de 24 horas após as eleições, os dois candidatos e suas equipes já estavam, ontem cedo, em ritmo de campanha. Em Belo Horizonte, para o velório do pai de Aécio Neves, Serra disse que o ex-governador mineiro será "peça-chave" de sua estratégia e descartou rumores de que poderia mudar seu vice, Índio da Costa.

Dilma reuniu auxiliares, em Brasília, para um balanço das tarefas, entre as quais uma urgente operação para recuperar votos religiosos. Depois deu entrevista na qual colou de novo a imagem de Serra ao do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. "Quando eles puderam mais, fizeram menos", cutucou, referindo-se às políticas de salário mínimo da era FHC.

As urgências dos dois lados ficaram claras em duas reuniões em São Paulo . Os tucanos discutiram uma forma de melhorar a arrecadação para a nova etapa. No encontro dos petistas, a preocupação maior foi entender as razões da forte queda de Dilma em São Paulo, registrada nos últimos dias antes do primeiro turno. Além da questão do aborto, admitiu-se que as irregularidades na Casa Civil, envolvendo a sucessora de Dilma, Erenice Guerra, afastaram muitos eleitores da classe média. Eles acreditam que é possível recuperá-los.

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