A frustração de quem ficou em vigília na Cinelândia

Manifestantes e curiosos passaram horas de pé na praça para ver Obama , mas ele foi direto para o Theatro Municipal

Clarissa Thomé e Felipe Werneck / RIO, O Estado de S.Paulo

21 Março 2011 | 00h00

A frustração tomou conta do público que se reuniu na Cinelândia para ver o presidente Barack Obama, seja para homenageá-lo, seja para protestar contra sua visita . O aparato de segurança - que incluiu um blindado Urutu do Exército, homens do Batalhão de Choque e uma guarnição do Regimento de Polícia Montada - acabou servindo de atração para as cerca de 500 pessoas que passaram horas em pé na praça.

Os telões, prometidos pelos organizadores, não foram instalados. E o público nem desconfiava de que Obama já havia entrado no Theatro Municipal, quando ele começou a discursar. Muitas pessoas cercaram as tevês de plasma do Amarelinho, tradicional bar da boemia carioca, ameaçado de fechar, por conta da segurança do presidente.

A maquiadora Mara Lima Bezerra, de 53 anos, e o neto Michael Jorge, de 9 anos, garantiram lugar junto à grade que impedia o avanço do público na direção do teatro. Em vão. "Até pouco tempo, nesse teatro não era permitida a entrada de negros. Hoje nós podemos entrar, e temos a honra de receber o primeiro presidente negro dos Estados Unidos. Queria que o meu neto visse esse momento histórico. Infelizmente, ele não apareceu", queixou-se, enquanto Michael Jorge filmava com celular os soldados da Polícia do Exército.

Sósias de Obama, Roberto Carlos, Pelé e Tiririca se misturavam a estrangeiros curiosos e a manifestantes fantasiados. Entre eles, a modelo Claudia Lomeu, com 1,85 metro de altura e 58 quilos. Vestida com biquíni enfeitado por plantas, ela se apresentava como a mulher-bambu. Passou 10 horas em pé. " Como Obama não apareceu, aproveitei para apresentar meu material", conformou-se..

Oséias da Conceição Santos, de 38 anos, carregava um cartaz em que definia Obama como "homem da paz". "Acho que errei nessa, porque ele mandou atacar a Líbia. Por outro lado, o Kadafi é um maluco", disse.

Pela manhã, um grupo de 500 manifestantes, de entidades como MST, PSOL, PSTU e sindicatos, se reuniram na Glória e no Largo do Machado e saíram em passeata em direção à Cinelândia, gritando palavras de ordem .

Protestaram contra a prisão de 13 manifestantes, em frente ao Consulado Americano, na sexta-feira, num contra a ofensiva na Líbia e contra o interessa americano no pré-sal.Na Rua do Passeio, foram impedidos de avançar por uma barreira Regimento de Polícia Montada.

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