A ''mãe do PAC'' volta ao alemão

Presidente inaugura teleférico em favelas do Rio

Bruno Boghossian / RIO, O Estado de S.Paulo

07 Julho 2011 | 00h00

Dilma Rousseff volta hoje, pela primeira vez desde que assumiu a Presidência, ao local em que foi batizada de "mãe do PAC" pelo antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva. Desta vez, três anos depois do episódio que marcou o nascimento de sua candidatura ao Palácio do Planalto, ela será a protagonista da inauguração do teleférico que liga cinco favelas do Complexo do Alemão, na zona norte do Rio.

Em março de 2008, Lula dava início à obra que seria uma das vitrines do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Em discurso na comunidade, dominada pelo tráfico de drogas, o presidente começou a construir publicamente a imagem de "gerente" da então ministra-chefe da Casa Civil - estratégia que usou na caminhada eleitoral.

"A Dilma é uma espécie de "mãe do PAC". É ela que cuida, acompanha, que vai cobrar junto com o Márcio Fortes (ministro das Cidades na época) se as coisas estão andando ou não", disse Lula no evento.

No cargo de ministra da Casa Civil e no papel de "mãe do PAC", Dilma voltou três vezes ao Complexo do Alemão para visitar as obras de infraestrutura na comunidade - sozinha ou ao lado de Lula. Desde que foram anunciadas as intervenções no conjunto de favelas, há quatro anos, o orçamento passou de R$ 495 milhões para R$ 725 milhões - um aumento de 46,4%. Até agora, já foram liquidados R$ 611 milhões, ou 84,3% do valor previsto.

A obra é considerada um marco do PAC pelos governos federal e estadual, por se tratar do primeiro sistema de transporte de massa por cabo do Brasil. O teleférico, com investimentos de R$ 210 milhões incluídos no Orçamento, se destaca na paisagem da região, ao lado de uma das principais vias expressas da cidade.

Cerca de 30 mil pessoas deverão usar o novo meio de transporte a cada dia. As estações foram construídas nos topos dos cinco morros mais populosos do conjunto de favelas e na estação de trem de Bonsucesso. Todo o sistema será operado pela Supervia, concessionária responsável pelo transporte ferroviário na região metropolitana do Rio.

Com 3,5 km de extensão, o teleférico deve reduzir para 15 minutos um trajeto que atualmente pode levar mais de uma hora. Os moradores da favela serão cadastrados e terão direito a fazer duas viagens diárias de graça. O início da operação da linha foi adiado quatro vezes no último ano, por conta da necessidade de realizar testes e ajustes nas estações.D

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