Amanda Perobelli/Estadão
Amanda Perobelli/Estadão

A mulher que se ‘descobriu’ negra aos 36 anos

De lá para cá, não foi só o olhar de Viviane Duarte ao espelho que mudou

Edison Veiga e Rodrigo Burgarelli, O Estado de S.Paulo

07 Março 2017 | 03h00

A jornalista Viviane Duarte tem 38 anos e, até dois anos atrás, não fazia ideia de que é negra. Idealizadora dos projetos Plano Feminino e Plano de Menina - este último, que presta atendimento a adolescentes de comunidades pobres da cidade -, ela conversava com uma amiga sobre dificuldades de gênero. “Aí comentei que o problema devia ser ainda maior para as mulheres pobres e negras, que tendem a enfrentar situações muito mais complicadas na vida”, recorda-se. “Foi quando ela perguntou o meu ponto de vista pessoal, situando-me como negra.”

Viviane foi para a casa em estado de choque. “Falei para meu marido. E ele disse, com a maior naturalidade: ‘Sim, você e negra, você não sabia?’”, conta. “Comecei a chorar.”

De lá para cá, não foi só seu olhar ao espelho que mudou - foi seu olhar para o mundo. “Antes, quando eu analisava a publicidade, sempre preocupada com as questões de gênero e diversidade, eu não pensava na questão da mulher negra. Hoje, com o Plano Feminino, estou preocupada em projetos de inclusão nas empresas”, afirma. “Também estou mais bem resolvida com os meus cabelos. Posso até fazer escova, alisar. Mas se eles estão cacheados, também não vejo como um problema.” O que não mudou foi o jeito materno de encarar a filha. “Para minha mãe, eu continuo sendo a morena jambo”, diz. 

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