''A realidade do País mudou''

ENTREVISTA - Gilmar Mauro, MEMBRO DA COORDENAÇÃO NACIONAL DO MST

Roldão Arruda, O Estado de S.Paulo

28 Março 2011 | 00h00

Para Gilmar Mauro, da coordenação do MST, o Brasil precisa rediscutir o modelo agrícola.

A que atribui a redução dos acampamentos? Isso está ligado ao mercado de trabalho?

Sim. A realidade socioeconômica do País mudou. Houve um processo acentuado de geração de empregos nos últimos oito anos. A construção civil está bombando, mobilizando trabalhadores que costumo chamar, brincando, de primos pobres da cidade. O cara da construção é o ex-camponês, que, até algum tempo atrás, era o mais interessado na volta ao campo.

Isso é conjuntural?

Não sei até onde dura. O capitalismo ainda não saiu do período de crise internacional e é provável que o avanço brasileiro encontre limites uma hora dessa.

E o Programa Bolsa Família?

Muitas famílias encontram nele a possibilidade de ir sobrevivendo sem voltar para a terra.

Isso significa o esvaziamento da bandeira da reforma?

A reforma agrária precisa ser ressignificada, com um debate político. Se continuarmos essa lógica de exportação de commodities, com o uso intensivo de agrotóxicos, em menos de 50 anos teremos contaminado rios, lagos, terra. É o que desejamos? Queremos consumir alimentos contaminados? Se a sociedade responder sim, então não há espaço para reforma. Se disser não, precisamos rever o modelo agrícola atual.

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