Celso Junior/AE
Celso Junior/AE

A última festa de aniversário no planalto

Ao festejar 65 anos e a pouco mais de 2 meses de deixar o cargo, Lula se esforça para não chorar

Leonencio Nossa e Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

28 Outubro 2010 | 00h00

Cada vez mais perto de deixar o cargo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem se emocionado com frequência, a ponto de embargar a voz e chorar. Em eventos públicos e nas rodas de conversas mais íntimas, ele não esconde o esforço para não ir às lágrimas e concluir os discursos de improviso.

Foi assim na tarde de ontem, na sua festa de 65 anos, promovida no Planalto por assessores e ministros. "Com toda sinceridade, eu preferia que esse dia não tivesse chegado", afirmou Lula, com voz embargada, relatou um assessor.

Estavam previstas quatro festas de aniversário para o presidente ao longo do dia. Pela manhã, Lula apagou as velas numa viagem a Itajaí, em Santa Catarina. No evento, trocou a ordem das velas, para comemorar "56" anos. À tarde, na festa no Planalto, assessores levaram um bolo decorado com um boneco vestido com o uniforme do Corinthians. "Um bolo de gosto duvidoso", brincou o chefe de gabinete, Gilberto Carvalho, palmeirense. "Só vou comer porque é o bolo do aniversário de um grande amigo." Na agenda oficial de Lula, no site do Planalto, constava a informação sobre suas atividades: "despachos internos".

Durante a festa no Planalto, os funcionários cantaram além do tradicional Parabéns a você o popular refrão de campanhas lulistas - "Olê, olê, olá, Lula, Lula".

O clima era de despedida, resumiu um auxiliar do presidente. O assessor relatou que Lula fez da festa uma cerimônia antecipada para agradecer o trabalho dos funcionários. Um deles, representando o grupo, disse que não esperava uma projeção internacional do País como ocorreu, na sua avaliação, durante o governo Lula. Depois, o assessor de assuntos internacionais, Marco Aurélio Garcia, afirmou que "o presidente colocou o nome na história".

Acompanhado da primeira-dama Marisa Letícia, Lula deixou mais cedo o Planalto, por volta de 18h30, e foi para o Alvorada, residência oficial da Presidência. À noite, Lula participaria de uma festa organizada pelo PT do Distrito Federal, na portaria do Alvorada. Um grupo de centenas de militantes caminhou, no começo da noite, da Esplanada dos Ministérios até o Alvorada, num percurso de cerca de quatro quilômetros.

Após o encontro com os militantes, ele receberia ministros e assessores mais próximos para um jantar. A candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, era presença confirmada no jantar. Também garantiram presença a maioria dos 38 ministros do governo.

Desde que Lula assumiu a Presidência, em 2003, Marisa Letícia organiza grandes festas de aniversário. Nos anos anteriores, elas tinham um objetivo político de dar demonstrações ao público de que o presidente estava disposto, bem-humorado e confiante nos rumos de seu governo. Crises políticas e disputas internas no PT e no governo foram minimizadas nas comemorações, lembram assessores.

Desta vez, as festas, tiveram menos piadas e declarações sarcásticas do presidente. Lula vestiu, na comemoração do Planalto, a velha guaiabeira vermelha, usada com frequência em solenidades informais. O presidente, porém, não escondia a dificuldade de receber os cumprimentos simples ou exagerados dos assessores.

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