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Abdelmassih diz que não ia fugir quando pediu passaporte

Sérgio Quintella - O Estado de S. Paulo

20 Agosto 2014 | 19h 14

Ex-médico detido nesta terça-feira alegou que queria passear, em conversa com a Polícia Civil e com o repórter da Rádio Estadão

Alex Silva/Estadão
O ex-médico Abdelmassih foi preso nesta terça-feira, 19, no Paraguai

O ex-médico Roger Abdelmassih, de 72 anos, disse, em conversa com policiais civis no Aeroporto de Congonhas, que a ideia de fugir para o Paraguai há três anos foi de se sua mulher, a ex-procuradora da República Larissa Maria Sacco, de 37 anos. Ele contou também que sua intenção não era fugir do País, quando solicitou a renovação de seu passaporte, em 2011, mas apenas "passear". A conversa entre capturado e policiais foi obtida com exclusividade pela reportagem da Rádio Estadão.

"Eles (a Justiça e o Ministério Público) achavam que eu iria fugir, mas eu não ia. Ia passear", afirmou o ex-médico. "Sabe por que eu fui tirar passaporte? Porque o meu passaporte tinha mais dois meses para vencer. O Juca (criminalista José Luis Oliveira Lima) falou assim: 'Tem lugar que você não vai conseguir usar passaporte com dois meses'", afirmou Abdelmassih ao policiais.

O capturado disse que consultou seu advogado Márcio Thomaz Bastos sobre como proceder para renovar o documento. "Fui ao doutor Márcio: 'Doutor Márcio, o que o senhor acha? O senhor pode me ajudar?'", afirmou. A resposta do criminalista foi: "Não! Vai lá na Polícia Federal, e tira logo", disse Abdelmassih.

Ouça a conversa com o repórter Sérgio Quintella:

A prisão preventiva, em 6 de janeiro de 2011, após a condenação, foi decretada pela juíza Cristina Escher, da 16.ª Vara Criminal de São Paulo, após o ex-médico pedir a renovação do documento. "Quando fui buscar, a juíza mandou eu entregar. Tá bom. Aí, os advogados começaram a ver o que queriam: 'Ah, pode dar prisão'. Aí, a juíza substituta Jaqueline disse para o Juca: 'Fala para o seu cliente que não vou prender. Fala para ele ficar tranquilo'. Eu disse: 'Então, tá? Vamos para Avaré'." 

Foi em uma fazenda em Avaré que o MPE encontrou as pistas para chegar à localização do ex-médico em Assunção. Aos policiais civis, Abdelmassih disse que, na época da fuga, estava tranquilo. "Eu estava livre, eu estava solto. Aí, pum, me avisaram no meio do caminho (da prisão). Daí, o Márcio falou: 'Eu acho melhor se entregar'. Minha mulher falou: 'Não, vamos embora.' As crianças nasceram lá, as crianças são paraguaias", contou o ex-médico.

Abdelmassih falou aos policiais sobre como foi sua captura. "Quem me pegou foi o rapaz da polícia federal. Diz ele ter informação até da igreja, de uma 'cliente' da igreja que me viu. Mas principalmente depois da Veja, que estampa muito o rosto da Larissa", afirmou o ex-médico em referência a reportagens da revista semanal. "Eu usava peruca. Eu não saia de casa sem peruca. E óculos. Ficava diferente do que eu era. Ela saiu muito na Veja", disse.