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Abraji e sindicato dos jornalistas criticam conduta da PM no Rio

Fábio Grellet - O Estado de S. Paulo

11 Abril 2014 | 20h 04

Sindicato exige que o governo e as autoridades de Segurança Pública do Estado do Rio garantam o "fim da política de perseguições e ataques de PMs contra os jornalistas"

RIO - Em nota, a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) condenou a prisão do repórter Bruno Amorim, do jornal O Globo, durante a reintegração de posse. A "ação violenta contra a imprensa" é um "desserviço" e um ataque "ao direito à informação de toda a sociedade", afirma a entidade.

"A polícia do Rio já havia ameaçado jornalistas no começo da reintegração de posse", diz a nota. Segundo a Abraji, manifestantes que resistiam à desocupação também atacaram a imprensa, tentando destruir veículos da TV Globo, do SBT e da Record.

O Sindicato dos Jornalistas do Município do Rio também criticou a postura da polícia. Segundo nota da entidade, "outros jornalistas também foram ameaçados, agredidos e alvos de bombas lançadas de um helicóptero por PMs. Carros da imprensa foram depredados por manifestantes, em atitude que também repudiamos", afirma o sindicato.

"Em defesa dos interesses coletivos e individuais da nossa categoria, o sindicato exige que o governo e as autoridades de Segurança Pública do Estado do Rio garantam o fim dessa política de perseguições e ataques de PMs contra os jornalistas. Estudamos as medidas cabíveis para responsabilizar o Estado", conclui.

Questionado sobre a operação, o governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) disse que "foi feito o que tinha que ser feito". O porta-voz da Polícia Militar, tenente-coronel Cláudio Costa, afirmou que a desocupação transcorreu dentro do planejado. "A Polícia Militar seguiu todos os protocolos que envolvem uma reintegração de posse e a operação transcorreu dentro do planejado."

Abaixo, as notas emitidas:

"Manifestamos absoluto repúdio às violações aos direitos humanos e à democracia que foram perpetradas pela Polícia Militar na operação. Entre os presos e feridos, o repórter Bruno Amorim, do jornal O Globo, foi rendido com uma chave de braço por PMs (...). Outros jornalistas também foram ameaçados, agredidos e alvos de bombas lançadas de um helicóptero por policiais militares. Carros de imprensa foram depredados por manifestantes, em atitude que também repudiamos. Em defesa dos interesses coletivos e individuais da nossa categoria, o Sindicato exige que o governo e as autoridades de Segurança Pública do Estado do Rio garantam o fim dessa política de perseguições e ataques de PMs contra os jornalistas. Estudamos as medidas cabíveis para responsabilizar o Estado."

Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro

"A Abraji condena mais uma vez a ação violenta contra a imprensa. Ao prender Bruno Amorim e ameaçar com prisão outros repórteres, a PM do Rio presta um desserviço. Ao depredar automóveis dos meios de comunicação, manifestantes se unem à polícia no ataque ao direito à informação de toda a sociedade."

Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji)

"A ANJ repudia a arbitrariedade policial praticada no Rio de Janeiro. É inadmissível que profissionais no exercício da atividade jornalística sejam alvo de violência por parte de policiais, que deveriam zelar pela segurança pública, e de integrantes de grupos radicais."

Associação Nacional de Jornais

"É extremamente preocupante o uso de métodos violentos empregados tanto pela Polícia Militar como por cidadãos civis, com o objetivo de impedir o trabalho jornalístico e privar a sociedade do acesso à informação. Espera-se das autoridades de Segurança do Estado a apuração dos abusos cometidos." 

Associação Brasileira das Emissoras de Rádio e Televisão (Abert)

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